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Crítica a "Bellflower"

Filme sensação em vários festivais de cinema independente e de cinema fantástico mundiais, incluindo Sitges, Leeds, Seattle, Boston, SXSW e Sundance onde Bellflower teve a sua estreia mundial, e que agora chega a Portugal em competição no Fantasporto, onde está inserido na Secção Oficial de Cinema Fantástico.

Têm vindo a ser quase tradição todos os anos, e ainda bem que assim o é, uma produção de baixo orçamento, vulgo indie, que vem a dar que falar normalmente derivado ao 'hype' e ao 'mouth to mouth' muito devido ao seu percurso traçado neste género de festivais, e realmente existem filmes que é impossível ficar indiferente à sua simpatia como é o caso deste Bellflower. Isto acontece por diversas vezes, mas existe algo em certos filmes indie que não existe noutros mais mainstream, isto é uma sinceridade e convicção que é facilmente identificável e que transparece ao espectador independentemente da sua história. Este tipo de cinema existe porque os ditos filmes indie permitem um controlo total do autor, desde sempre (e cada vez mais desde a introdução do digital), que estes filmes são nada mais do que uma expressão artística de alguém com total liberdade de o fazer da forma como quer e à margem das produções dos grandes estúdios.

Neste específico caso, Evan Glodell tem a quadrupla função de realizar, produzir e interpretar a sua própria história, já que a quarta função é a de argumentista, que foi escrita baseada numa experiência pessoal do realizador quando era adolescente. E Glodell faz isto tudo com total devoção e autenticidade, e isso é sempre excelente de se ver no ecrã, quando alguém se identifica com a história e faz um filme onde se vê a paixão, dedicação e o esforço do realizador pelo projecto. E tudo com um orçamento de 17 mil dólares.

A história retrata dois amigos de infância, Woodrow (o próprio Glodell) e Aiden (Tyler Dawson), que passam o tempo livre a construir equipamento apocalíptico inspirado no filme Mad Max, tal como um lança-chamas ou a transformar um Buick num carro de combate de nome Medusa, idêntico ao Interceptor do clássico de Mel Gibson, equipamento (não apenas adereços, note) mesmo construído propositadamente para o filme. Apesar da influência à ficção-cientifica apocalíptica, que se nota na sua árida fotografia, o filme é na sua essência mais básica e dramática sobre 'rapazes conhecem raparigas e rapariga muda rapaz'. A somar ás inspirações das personagens, e quando o filme parece perder o controlo, é após o twist a meio do filme que irá tornar a história de Bellflower numa fabulosa e inconfortável experiência: parte romance, parte fantasia apocalíptica, culminando num violento e tormentoso clímax no que será certamente um dos filmes indie mais interessantes do ano.

Bellflower destaca-se também pelo seu estilo de filmagem, tanto para o mal como para o bem, o que poderá não agradar a muitos. O filme, visualmente, tem tantos planos magistrais com outros completamente desfocados, com falta de cor e com excessos de luz, e isso é algo que pode incomodar em determinados momentos, mas tudo faz parte da experiência já que algumas das câmeras foram personalizadas para as filmagens para dar particularmente aquele estilo visual.

Roger Ebert chegou a apontar na sua crítica a Bellflower que: "É muito possivelmente a estreia de um género de cineasta único, uma força natural tal como Tarantino...". E ainda que seja muito prematuro para se prever tal feito por parte de Evan Glodell, teremos de nos deliciar com esta sua surpreendente e interessante estreia, que é, em todo o seu processo de criação, brilhante, mesmo apesar de alguns defeitos visuais.

Classificação: 9/10

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