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Crítica a "As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne "

 

As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne

O intrépido repórter Tintim (Jamie Bell), não podia imaginar que ao comprar a miniatura do navio "Licorne" estava a mergulhar numa perigosa aventura. Na corrida contra o tempo para evitar que o vilão  Sakharine (Daniel Craig) recupere o tesouro pirata, Tintim conta com a ajuda do seu fiel Milou (Snowy na versão em inglês), do irascível e ébrio Capitão Haddock (Andy Serkis) e dos ineptos policias Dupond e Dupont (Thomson e Thompson, a dupla cómica Nick Frost e Simon Pegg ).

"As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne" (The Adventures of Tintin) foi o regresso ao grande ecrã do herói criado por Hergé, desta vez em animação computorizada e exibido em 3D. O filme realizado por Steven Spielberg, o primeiro capitulo de uma possível trilogia, foi precedido, além das séries animadas (1961 e 1991) por 2 filmes de imagem real e 2 de animação tradicional. Precisamente o aspecto mais comentado da versão Spielberg ( e auxiliado na produção por Peter Jackson) é a tecnologia envolvida em trazer à vida as personagens da banda desenhada: a  performance capture, a "evolução" do motion capture que permite captar directamente em formato digital não só os exactos movimentos dos actores a correr, saltar e lutar, mas também as expressões faciais e corporais mais complexas e subtis.

Não vou alimentar discussões inúteis sobre se o "espírito" da obra de Hergé está ou não presente, basicamente porque ainda só li os 3 primeiros livros, os mais antigos, que não estão relacionados com os livros adaptados para esta aventura. Além disso, discussões fanáticas não me interessam, porque já li acusações opostas, que tanto este Tintim é um monstro sem alma, como uma adaptação perfeita. Como é, meus senhores? Avançando ...

O filme nasceu finalmente - depois de décadas no limbo - da colaboração à distância - facilitada pelas tecnologias de comunicação - entre dois grandes nomes do cinema, ambos grandes fãs das histórias de Tintim: o veterano Spielberg, com um volume de obras gigante sobre os ombros e o kiwi Peter Jackson, autor de vários imponentes clássicos modernos.

O argumento, criado a partir elementos de três álbuns diferentes ("O Caranguejo das Tenazes de Ouro", "O Segredo do Licorne" e "O Tesouro de Rackham o Terrível"), teve input de vários argumentistas: Steven Moffat (Dr. Who, Sherlock, as séries estrela da BBC), Edgar Wright (realizador e argumentista de Scott Pilgrim Vs The World) e Joe Cornish (realizador e argumentista de Attack The Block).

No segundo visionamento, o ritmo pareceu-me bem mais equilibrado, apesar de umas duas cenas com momentos um pouco exagerados. No entanto, achei muito bem conseguida a comédia slapstick, presente (em quantidade industrial) nas BDs que já li. Apesar da sétima e da nona artes serem meios distintos, há cenas deliciosas, que fundem perfeitamente os dois mundos, como a de quando os Dupond e Dupont chocam com uma gaiola e os pássaros pairam sobre a cabeça de ambos, como esperaríamos ver num história aos quadradinhos. Felizmente foi tomada a decisão de não por o Milou a falar ou pensar como na BD, facto compensado com a liberdade de movimentos possibilitada pela sétima arte. Assim, em vez de um cão falante engraçadinho  temos um personagem relevante para o desenrolar da acção.

A música do habitual comparsa de Spielberg, o grande compositor John Williams, apesar de reconhecível foi ampliada com as sonoridades jazz, que além de um ritmo enérgico ainda presta homenagem ás raízes europeias das personagens, com o recurso ao inevitável acordeão.

O ponto mais fraco do conjunto será o mistério em redor do qual os acontecimentos se desenrolam, que não é tão misterioso ou inovador. Mas, estamos a falar de álbuns criados na primeira metade do século XX, já adaptados a diferentes medias, e  que inspiraram muitos outros trabalhos. É uma aventura bem divertida, com um brilhante design de produção e animação de personagens que conseguiu equilibrar o traço estilizado de Hergé com o mundo hiper-realista possibilitado pela animação moderna.

Se quando Steven Spielberg estreou o primeiro Indiana Jones foram várias as comparações com Tintim, agora que - décadas depois  - Spielberg materializou as aventuras do jovem repórter, com o inevitáveis ecos dos filmes de Indiana Jones, podemos dizer que um ciclo se fecha. Ou melhor, que se começa a fechar, porque o próximo capitulo já está a ser preparado...

poster

 

Título Original: " The Adventures of Tintin " (EUA, Nova Zelândia, 2011)

Realização: Steven Spielberg

Argumento: Steven Moffat, Edgar Wright, Joe Cornish.

Intérpretes: Jamie Bell, Andy Serkis, Daniel Craig.

Música: John Williams

Género: Acção, Aventura, Mistério, Animação

Duração: 107 min.

Sítio Oficial: http://cinema.sapo.pt/tintin/

 

 

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