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Anime - Saint Seiya Destaque

el  sábado, 17 janeiro 2015 18:00 Escrito por 
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Parte do imaginário infantil de quem cresceu nos anos oitenta está associado a várias séries de origem japonesas que chegaram cá quando esse país começou a exportar. A primeira a exibir sangue em condições – na altura quem programava a televisão pensava que todas as animações eram adequadas para crianças – foi “Saint Seiya”, que entre nós ficou conhecida como “Os Cavaleiros do Zodíaco”.

Devido à sua estrutura em arcos, sub-arcos e capítulos, perdoem as liberdades tomadas ao falar de “temporada” pois é um conceito que não faz muito sentido. Foi distribuída de 1986 a 2008 e falaremos de quatro temporadas à semelhança do IMDb, ainda que o número de episódios em cada uma delas varie entre 14 e 74.

A primeira temporada, Santuário, começa com um torneio para determinar qual dos cavaleiros de bronze é digno de envergar uma armadura de ouro. O que parecia uma mera competição lentamente revela ser parte de algo bem maior, visto que vários dos concorrentes treinaram juntos na infância até serem enviados para locais inóspitos onde seriam treinados pelos melhores mestres nas piores condições, de forma a se demonstrarem merecedores da Armadura de Bronze. Como as envergam sabemos que já enfrentaram a primeira bateria de provações com distinção. As causas destes guerreiros são desconhecidas, contudo, depressa se percebe que nem todos têm as motivações mais puras. Alguns querem apenas mostrar o seu poder, outros querem o prémio, e outros querem honrar o seu protector Mitsumasa Kido. As rondas de eliminação vão passando e os melhores guerreiros começam a distinguir-se. Quando a fase final se aproxima, tudo piora. Desde Cavaleiros de Bronze maus a cavaleiros negros - os seus reflexos com armaduras idênticas, mas movidos pelo mal - os desafios sucedem-se. Mesmo a organizadora do torneio é atacada por forças malignas. Sempre que um desafio é ultrapassado, aparece um novo opositor, cada vez mais forte. Depois dessa fase complicada dentro e fora dos ringues, alguns Cavaleiros de Prata vêm eliminar os de bronze. Nunca um cavaleiro de bronze venceu um de prata, mas quando o primeiro combatente prateado cai, a relatividade das armaduras começa a ser questionada. Talvez a graduação não seja assim tão importante quando se desperta o sexto sentido e se consegue libertar todo o potencial do guerreiro.

Ao longo de dezenas de episódios vamos acompanhando as aventuras de um quarteto (por vezes quinteto) de cavaleiros. Cada um com o seu próprio fantasma do passado, mas que o põe de lado para se focar no objectivo comum: proteger a sua protectora. Confuso? Como crianças eles precisaram de ajuda e Kido foi o seu guardião e mecenas. Com a morte de Kido a responsabilidade passou para Saori Kido, a neta, que é da idade deles e os ajuda tal como o avô dum ponto de vista intelectual e financeiro. Ela pode ser poderosa entre os homens, mas está indefesa quando se trata de enfrentar o Olimpo e é daí que vem a nova ameaça. Só os maiores guerreiros humanos poderão pensar em enfrentar guerreiros divinos.

Com uma estrutura sólida e bem planeada ainda que com o ocasional buraco narrativo, “Saint Seiya” é uma série que se vê com gosto e em que cada episódio contribui para avançar com a história. As inconsistências nesta primeira temporada são mínimas e muitas delas poderão vir da tradução como é habitual no que nos chega do Oriente. Não só para a época como até aos dias de hoje, é um exemplo a seguir na produção de conteúdos para televisão.


Se a primeira temporada foi ao Olimpo, a segunda não podia ficar atrás. Desta vez a ameaça vem dos deuses nórdicos. Uma série de cavaleiros com poderes muito superiores aos Cavaleiros de Ouro aparece do nada e coloca a humanidade em risco obrigando a própria Atena a intervir. Serão os Cavaleiros de Bronze capazes de se superarem e de superarem estes novos oponentes? Esta mudança de constelações (cada guerreiro de bronze, prata ou ouro recebeu o seu nome de uma constelação, sendo os doze de Ouro os do Zodíaco) para outra mitologia foi mais do que interessante.

Ainda que tenha sido necessário despertar novos poderes para superar este novo desafio – ainda bem, os velhos já cansavam há muito tempo! – os combates são mais do mesmo, havendo uma ou outra surpresa ocasional para quando as personagens e os espectadores pensavam que teria o mesmo desfecho. O factor tempo é mais uma vez crucial fazendo com que os níveis de adrenalina se mantenham altos.

Este segundo arco não foi inspirado na manga de Masami Kurumada. Todavia, para material original, engana muito bem. O argumento aqui é claramente mais fraco por não apostarem no rumo óbvio de usarem os guerreiros que dominam fogo e gelo (apesar de começar com Hyoga em destaque), tentando fazer exactamente o mesmo que da primeira vez, incluindo faltas de confiança, deficiências físicas e dúvidas existenciais. E o vilão misterioso funciona terrivelmente mal. No entanto tudo isso é perdoado porque, na parte técnica, mais uma vez conseguiram dar-nos uma animação eficaz e seguir a história sem nos fazerem perder demasiado tempo.

Era desnecessário terem fugido ao material original, mas levanta uma boa questão. Será melhor dar asas à criatividade no final, quando a série devia estar encerrada e ser deixada em paz, ou é melhor ir colocando temporadas bónus a meio e manter o espectador preso na expectativa da temporada seguinte, a que tem o tema conhecido, que conclui a narrativa, e que ele realmente quer ver? Não há muitos casos assim, mas em “Saint Seiya”, e para um europeu sem contacto com a manga, o cruzamento da mitologia grega com a norueguesa é disfuncional, ainda que uma simpática tentativa de mostrar a pluralidade cultural deste continente.


Na terceira temporada a nova ameaça vem do fundo dos mares com Poseidon. Tal como Atena na terra, Poseidon tinha o seu próprio exército de guerreiros de elite debaixo de água. Aqui focam-se mais na parte humana do que na bélica, criando conflitos entre vários indivíduos. Novamente o tempo é um factor fundamental e os combates precisarão tanto de força como de inteligência e estratégia. Finalmente há alguma variedade no tema. Voltam a usar a receita “Atena está em perigo, o mundo está em perigo”, mas isso é tradição, o que precisávamos que mudasse era o amadurecimento das personagens e temos um pouco disso. Nesta fase já os episódios se tornaram viciantes e mesmo que a história seja sempre igual, o desejo de ver mais um está sempre presente. O tal truque de acrescentar material original a meio funcionou, pois este regresso às origens da manga, ainda que não seja fabuloso, revela a debilidade do segundo arco e por isso mesmo ganha forças. Não só Asgard é a ligação ao mundo submarino, como este terceiro arco tem o mesmo número de oponentes que o acrescentado, tem também Saori a tomar o peso do mundo sobre si para impedir as águas de nos levarem. A diferença está em ter personagens com diferentes graus de importância e opiniões relativas ao conflito, algo que faltou no arco anterior por os sete guerreiros obedecerem sem espírito crítico às ordens que lhes foram dadas. Se Asgard tivesse vindo depois de Poseidon, seria uma cópia foleira, vindo antes, foi como que uma preparação.


 

A adaptação dos Cavaleiros do Zodíaco para televisão foi exibida de 1986 a 89 tendo um total de 114 episódios. Só que faltava mais um arco da manga. A saga de Hades, a conclusão de tudo isto. Foi apenas em 2002 que chegou ao mercado a parte derradeira da série, ainda que no formato OVA, que conhecemos como “home video”. Com uma equipa renovada, novas técnicas de animação, e uma massa de seguidores internacionais inimaginável, o que mais surpreendeu nesta série foi o tempo que demorou a sair. Cerca de seis anos para 31 episódios.

Para a quarta temporada aboliram a barreira da morte e mandaram os guerreiros para os territórios de Hades. Esta oportunidade para recuperar todos os maiores guerreiros de Atena - tal como os maiores inimigos – tinha tamanho potencial que o esbanjaram. Nem usaram todos os falecidos que podiam, nem todos os que deviam, nem os que queríamos. Tanto entre os Cavaleiros de Ouro regressados como entre os que ficaram, muitos são despachados sem tempo para lamentos. Os Espectros que à primeira investida parecem temíveis adversários, revelam-se soldados menores de uma batalha gigantesca que alguns episódios não conseguem representar dignamente.

No entanto a intensidade dramática é tal que quando a temporada termina, damos o assunto por encerrado sem grandes queixas. Uma história bem construída (a ansiedade era tal que qualquer coisa serviria) com um intrigante mistério, que alguns twists e imensa nostalgia tornaram agradável de ver. A temporada não atingiu mais de três quartos do seu potencial, mas em algum sítio seria preciso cortar ou corria o risco de repetir quase toda a série. Aqui finalmente acabou o tema da Atena pacífica e indefesa, para vermos uma líder com pulso que sabe o que é preciso fazer. Agora, além de estar disposta a fazer o derradeiro sacrifício como tão bem demonstrou nas histórias anteriores, sabe o que significa liderar as tropas numa batalha pela Humanidade e usar a astúcia que a caracteriza.

Aqui era o ponto onde devia ter acabado, mas a série não ficou por aqui. O filão ainda tinha muito para dar e não iam parar enquanto não o secassem completamente.

Adaptaram o spin-off da manga "Lost Canvas" e querem fazer o mesmo com "Saint Seiya: Next Dimension". Fizeram a série original "Saint Seiya Omega", vão fazer "Saint Seiya: Soul de Gold"... Enquanto houver dinheiro, Seiya (ou outro) vestirá armadura. Entre os spin-offs da manga o preferido poderá ser "Seintia Shō" sobre as guerreiras da guarda pessoal de Atena.

Também foram feitos vários filmes ao logo dos anos que não estão em concordância com a série. Em 2014 foi lançado um filme que adapta o primeiro arco e falaremos dele já a seguir.

Ler 2886 vezes Modificado em domingo, 01 novembro 2015 21:46

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