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Crítica a "Fake Blood"

el  sexta, 07 setembro 2018 10:00 Escrito por 

Tornar ficção em realidade, explorar a realidade, entrar num pesadelo. Alterar a ficção.

Chegamos a um ponto em que a violência gratuita na sociedade deixou de ter impacto. Entre a ficção e a realidade somos tão bombardeados com crime, sangue e mortes, que deixou de significar algo. Isso pode não ter interesse para o comum dos mortais, a viver uma existência pacífica e longe de confusões, mas não foi o caso de Rob Grant. Este realizador sempre tinha visto o terror dos filmes como ficção e, em especial por fazer produções de baixo orçamento, tinha de compensar com muito humor. O sangue dos seus filmes não era suposto corresponder à vida real. Até que um fã lhe envia um vídeo onde explica o que fez mal no desmembramento de um cadáver e como podia ser melhor na execução dos crimes. Perturbados, Grant e equipa vão entrar no mundo do crime e entrevistar criminosos para saber se a culpa da violência está nos filmes e qual a responsabilidade dos cineastas perante o público e a sociedade.

“Fake Blood” segue a estrutura do documentário, com uma diferença. Influenciado pelo estudo que levou a cabo, as cenas de violência e morte recriadas são todas seguidas dum esclarecimento para se confirmar que ninguém ficou magoado e foi tudo faz de conta. A narrativa é praticamente cronológica pelo que essas mortes ainda demoram. Primeiro fazem-nos sofrer. O que era para ser um estudo, leva Grant e Kovac, o seu amigo/actor a envolverem-se no submundo. Onde os filmes não são um problema. Os assassinos matam por esse ser o seu trabalho. As pessoas morrem por serem incómodas para alguém ou apenas por estarem no lugar errado à hora errada. E contrariando as regras do jornalismo, estes amigos vão-se envolver demasiado com os intervenientes, esquecendo a sua missão de observar sem interferir, e despoletar problemas com os quais não querem lidar.

Com uma frescura que o terror não costuma ter, o filme prima por levantar questões. A demanda por respostas fracassa, pelo que cada um terá de chegar às suas próprias conclusões. Ainda melhor porque este tema não se podia resumir a uma longa-metragem quando há toda uma questão social e de histeria de massas associada.

Numa era em que a violência dos vídeo-jogos, filmes e livros é responsabilizada por tudo o que de mal acontece, era preciso parar para perguntar o que realmente torna uma pessoa em alguém mau. Culpar um jogo pode ser válido em tribunal. Pode até ser verdade para as mentes frágeis, corrompidas desde terna idade com conteúdos impróprios. Mas nunca é só isso. A resposta que um dos entrevistados dá é simples e perfeita. Ainda é na parte em que “Fake Blood” decorre como uma comédia por isso corre o risco de ser esquecida, mas uns resquícios ficarão.

Quanto à credibilidade documental, tem dois grandes pontos fracos que o revelam como um trabalho de ficção, mas passam despercebidos a quem não quiser implicar. “Fake Blood” é um visionamento complicado de definir, mas recomendado.

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