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Crítica a "Hansel & Gretel"

el  sexta, 24 fevereiro 2012 00:00 Escrito por 

Era uma vez um rapaz que tinha medo da responsabilidade. Ele tinha tanto medo que preferiu fugir a enfrentá-la. Nisto, um estranho tipo de magia interveio e ele foi parar a uma floresta encantada. Esta esconde um casarão, daqueles que se desejam em sonhos e o conforto e todas as coisas boas que se podem conceber no mundo da imaginação, onde foi recebido por crianças de faces rosadas que desejam que ele permaneça com elas para todo o sempre.

Eun-Soo (Jeong-myeong Cheon), pois que esse é o seu nome, nem por um momento se sente tentado a permanecer. A sua ânsia de escapismo, não é, afinal, assim tão forte, nem as saudades daqueles que deixou para trás tão fracas. Então, decide ir-se embora, voltar ao mundo real e nele, confrontar todos os seus medos. Só que Man-bok (Won-jae Eun), Young-hee (Eun-kyung Shim) e Jung-Soon (Ji-hee Jin), não o querem deixar partir. Eles guardam um segredo terrível, um que prende com amarras, todos aqueles que por ali passem e esmaga todos os que atentarem contra eles. Eun-Soo vê-se assim, obrigado a calcular todos os seus passos com cuidado para não magoar as crianças, nem atrair a sua fúria. Mas ele não deixou um rasto de migalhas desde a casa de gengibre até à estrada para a liberdade. Como regressar?

“Hansel & Gretel” é mais uma incursão no imaginário dos Irmãos Grimm. Esta estória tem passado ao lado de outros grandes clássicos sobre explorados como a Bela Adormecida e mais recentemente, a Branca de Neve. Este filme sul-coreano é uma versão modernizada, na qual, mais depressa se encontram ecos simbólicos da narrativa original do que uma interpretação literal. Apenas a cinematografia parece ter ido buscar inspiração directamente a gravuras antigas, conferindo a esta obra do novo milénio um exterior delicioso. A composição musical de Byung-woo Lee é um regalo para os saudosistas pois parece retirada dos grandes filmes de fantasia dos anos 80. A identidade sul-coreana não se perde nas alusões a um mundo mágico importado da velha Europa. O elenco, das crianças aos adultos, é um portento. E os eventuais contornos dramáticos são uma trademark em si mesma. Este conto negro e belo ao mesmo tempo recebeu por isso, aclamação a nível internacional e no Fantasporto de 2009 chegou mesmo a arrecadar o Grande Prémio da Secção Orient Express. Onde “Hansel & Gretel” se perde é na narrativa. A motivação de Eun-soo é uma incógnita. Ele é apresentado, num primeiro momento como um inconstante que aspira à liberdade por oposição aos constrangimentos que a vida coloca no seu caminho. Mas assim, que surge a oportunidade de fuga perfeita ele não hesita um único momento em rejeitá-la. Ele sabe que a sua vida está com aqueles que umas horas antes desejava desertar. Também se pode alegar que cuidar de crianças representa uma responsabilidade igual àquelas de que foge e que, como tal, ele opta pela realidade que conhece. Esse argumento é fraco. Aliás, as crianças não necessitam de ninguém que cuide delas. Elas sabem governar-se e raciocinar como… se não fossem crianças. Estão apenas carentes de amor, aquilo que todos os confortos deste mundo não conseguem substituir. Eun-soo acaba por depender da sua maturidade para que compreendam que o amor é uma oferta, recíproca, desinteressada e incondicional. Nunca forçado como elas o pretendem, por todos os meios obter. E assim temos uns pequenos monstrinhos que alternam entre o demoníaco e o adorável, com Man-bok mais próximo do primeiro extremo e Young-hee no último.

“Hansel & Gretel” é um exemplo clássico da natureza humana. Ao contrário dos contos originais, nos quais os desejos e vontades das criaturas são retratados a preto e branco, num cenário de inúmeras cores, o filme demonstra os diferentes tons do ser humano. Sob a superfície encontra-se todo um passado, mais ou menos trágico, que lança uma nova luz sobre as acções das personagens. Assim, quando chegamos ao último capítulo desta estória de encantar, já os nossos sentimentos sofreram várias revoluções. Queremos um: “E viveram felizes para sempre”.

 


Título Original: "Henjel gwa Geuretel" (Coreia do Sul, 2007)
Realização: Pil-sung Yim
Argumento: Pil-sung Yim e Min-sook Kim
Intérpretes: Jeong-myeong Cheon, Won-jae Eun, Eun-kyung Shim, Ji-hee Jin e Hee-soon Park
Música: Byung-woo Lee
Fotografia: Ji-yeong Kim
Género: Drama, Fantasia, K-horror
Duração: 117 min.

 

 

 

 

 

 

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