Scifiworld

Cinco grandes exponentes da italoexploitation pós-apocalíptica

el  quarta, 07 outubro 2015 07:00 Escrito por 

Uma visita a um grupo muito específico de clássicos dos anos oitenta.

No sempre peculiar e excêntrico mundo da ficção-científica, pode até ser que nunca tenham ouvido falar deste sub-género dentro dos sub-géneros, mas há mais fanáticos do que possa parecer dentro deste entranhável nicho de mercado do cinema mais descarado dos anos oitenta. A prova está nas cópias de bandas sonoras de alguns dos títulos aqui títulos listados que têm um preço no E-Bay que à primeira vista pode parecer um erro. Estes e outros detalhes outorgam hoje em dia um status de culto a muitos filmes desta vertente do cinema. Mas então, resumidamente, o que é a italoexploitation?

Em poucas linhas, não é mais do que a facção italiana de um fenómeno que maioritariamente, atendia às necessidades do público. Baseava-se em produzir um produto tão fácil como prazenteiro para toda aquela quota de mercado para a qual não bastava o que saía de Hollywood nos anos oitenta. Usando um equivalente mais compreensível, seria o equivalente aos pubs e bares que se abrem à volta de uma discoteca da moda. Eles fornecem um sucedâneo bastante apto para todos aqueles que não vibram o suficiente com o “original”. Aliás, na maioria as vezes, trata-se de ofertas onde se compensa com excessos em sexo, violência ou explosões as carências de produção ou interpretativas. Falamos do cinema, não dos bares.

Assim, se olharmos para o que triunfava cinematograficamente nos anos oitenta, poderemos ver que tipo de películas faziam os realizadores italianos. Como os heróis medievais, os géneros então prósperos como o de aventuras, o bélico ou a ficção-científica geraram mil filhos bastardos no cinema de baixo orçamento, com directores que não escondiam a sua origem (Sergio Martino, Ruggero Deodato, Enzo Castellari, etc.), mas com actores que tentavam americanizar os seus nomes, muitas vezes de um modo bastante simplório (de Marco di Gregorio a Mark Gregory, para citar um exemplo flagrante).

Dentro desta marabunta de títulos, muitos procuraram satisfazer o espectador mais rebelde, aquele que queria algo menos infantil que plágios baratos de Indiana Jones e provava repetidamente o Mad Max de G. Miller ou Nova Iorque 1997 de J. Carpenter. O panorama de um futuro distópico e sinistro estava em voga, graças a estes e outros mais aclamados cinematograficamente como Blade Runner, e assim nasceram estes cinco filmes que aqui apresentamos.


5. O Braço Exterminador (Vendetta dal futuro) (1986)
Sergio Martino (às vezes apresentado Martin Dolman) dirige este interessante filme acerca de um cyborg programado para eliminar um cientista com um papel muito importante no destino da já fracturada humanidade. Além do original nome do musculoso ciber-organismo, nada menos do que Paco, deleitamo-nos com uns actores mais sólidos e conhecidos do que o habitual. O protagonista Daniel Greene ou o “mau” John Saxon elevam as cotas de qualidade de um filme que deve muito a Terminator; não por acaso uma cena é decalcada, como se quisessem que ficasse claro para todo o mundo.

 

 

 

 
4. Os Implacáveis Exterminadores (I Nuovi Barbari, 1983)
Dos cinco seleccionados, provavelmente estamos ante o que menos se pode levar a sério. Alguém acredita que a roupa dos saqueadores e assassinos das planícies empoeiradas pode ser de um branco imaculado? Se lhe adicionarmos um parque automóvel com mais plástico que metal e um colecção de penteados cada um mais psicadélico que o outro, temos o filme perfeito para ver com amigos em tardes chuvosas. Um filme para o qual convém deixar o cérebro a hibernar durante uma hora e meia, e deixar-se deleitar pela oferta de Enzo G. Castellari.

 

 

 

 
3. 2019 - Depois da Queda de New York (2019 - Dopo la caduta di New York, 1983)
Exemplo de cópia flagrante do 1997 Escape From York antes citado, e de Mad Max 2 (ambos saídos dois anos antes) temos um herói bonito, mas rude, que deverá encontrar e proteger a única mulher fértil da terra, numa situação dramática no ano que o título anuncia decorrer. Sem se destacar por nada em especial, a sua inclusão nesta lista deve-se à homogeneidade que mostra em todos os aspectos. Temos uma banda sonora sintetizada muito animada e anos oitenta ao limite, uma plêiade de inimigos a enfeitar com a habitual mistura de penteados coloridos, roupa estrambólica com cabedal e tachas, perseguições em carros blindados com sucatas muito variadas que dão uso à câmara rápida, por entre pedreiras e maquetes que mostram o caos e a desolação no Alaska e em New York. A que se juntam ainda o bom ritmo e o elenco menos teso do que o habitual, cortesia de novo do grande Sergio Martino.

 

 

 

 
2. Os Salteadores de Atlantis (I Predatori di Atlantide, 1983)
De novo 1983; é evidente que este ano marcou um anotes e um depois na manufactura do género. A décimas da grandiosidade do título que encabeça a lista, não será a obra mais recordada de Ruggero Deodato, honra que corresponde à controversa Holocausto Canibal, mas é uma das mais excitantes. Uma mistura para muitos deselegante de Indiana Jones e Mad Max, tem uma trama acerca do futuro menos distante e devastado que ainda assim consegue ser menos credível. Um grupo de biólogos será obrigado a formar equipa com dois assassinos contratados para fazer frente à embaixada de Atlantis, o continente perdido, composta por um bando de punks em motos e carros que exibem artefactos dolorosos e pontiagudos. Será melhor não revelar mais e deixar ao leitor a tarefa de descobrir por si mesmo, na próxima oportunidade que tenha de ver o filme.

 

 

 

1. 1990 - Os Guerreiros de Bronx (1990: I guerrieri del Bronx, 1982)
Depois do que já vimos, teríamos de estar perante algo muito grandioso para ter escalado até ao número um. E assim é. Aparte a intertextualidade com The Warriors de Walter Hill, 1990: Os Guerreiros de Bronx é uma amálgama genial de personagens inolvidáveis, cenas memoráveis, estética insuperável e estrelas do celulóide que convertem este filme no epítome da italoexploitation pós-apocalíptica. Porque se não fosse suficiente o grande Fred Williamson (lenda de outro grande sub-género, a blaxploitation), temos Cristopher Connelly, George Eastman, Vic Morrow que não são capazes entre todos de eclipsar a grande estrela romana Mark Gregory. Descoberto no ginásio da capital de Itália, o “êxito” chegou a fazer mossa num rapaz tímido que não estava preparado para o cinismo da indústria. Em 1989 fez o seu último papel para desaparecer da face da terra, literalmente, e ninguém saber sequer se está vivo ou morto há anos. 1990: Os Guerreiros de Bronx continua a ser o seu filme mais glorioso, inclusivamente melhor que a sequela que protagonizou. Só pela quantidade de histórias que acumula, vale a pena submergir na criação de Enzo G. Castellari, para muitos o campeão do sub-género.

 

 

Alberto Comesaña

Deixe um comentário

Certifique-se que coloca as informações (*) requerido onde indicado. Código HTML não é permitido.

Mais Vistos

 

C/ Celso Emilio Ferreiro, 2 - 4°D
36600 Vilagarcía de Arousa
Pontevedra (España)

Redacción: 653.378.415

info@scifiworld.es

Sobre Scifiworld

Copyright © 2005 - 2019 Scifiworld Entertainment - Desarrollo web: Ático I Creativos