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Entrevista a Ivana Baquero

el  segunda, 19 outubro 2015 07:00 Escrito por 

No passado mês de Dezembro a actriz espanhola Ivana Baquero visitou o Porto para o Douro Film Harvest. A SFW aproveitou a ocasião para falar com a jovem estrela de “El Laberinto del Fauno” e que brevemente poderemos ver no filme português “Gelo” (a estrear este ano) e na série da fantasia da da MTV “The Shannara Chronicles” (Janeiro).

Seleccionada entre 1000 canddiatas para fazer de Ofélia em "El Laberinto del Fauno", Ivana Baquero tem provado ano após ano que não foi uma questão de sorte. Aliás, é um exemplo. O seu vasto currículo cobre vários géneros, vários países, não tem nenhuma vergonha na sua vida profissional ou pessoal e ainda lhe sobra tempo para estudar.

Brevemente poderemos vê-la com um duplo papel principal no filme de Luís e Gonçalo Galvão Teles "Gelo", ao lado de Albano Jerónimo, Ivo Canelas, Afonso Pimentel, Sara Barros Leitão e Inês Castel-Branco. Em televisão teremos de esperar por Janeiro para a vermos como a elfa Eretria na adaptação "The Shannara Chronicles" ao lado de John Rhys-Davies.

 

Fizeste o teu primeiro filme com Portugal.

Correcto. Comecei a rodar “Gelo” esta Primavera (2014). Foi um projecto que me chegou há dois anos. Então ainda estavam em pré-produção, a procurar financiamento, e até ao ano passado não me voltaram a contactar para realmente começar com a produção e a rodá-lo.

Convidaram-te inicialmente para a personagem que fizeste?

Sim porque o filme tem duas personagens principais, mas é a mesma actriz, neste caso eu, que são a Joana e a Catarina. São duas histórias paralelas que finalmente – sem fazer nenhum spoiler – mas finalmente, acabam por se juntar e o espectador verá como. É de uma maneira muito bonita. Mas sim, o papel que me ofereceram ao princípio foi o que acabei por fazer.

Há muitas personagens jovens no filme. Como te sentiste ao conhecer a nova geração do cinema português?

Para mim foi uma oportunidade, porque a verdade é que já trabalhei tanto em Espanha, naturalmente, como com os Estados Unidos, também pude trabalhar com França, e a indústria portuguesa nunca tinha calhado, não sei porquê…

Tão perto...

Claro, tão perto e não estava familiarizada com o vosso cinema até que me ofereceram o projecto e então pude conhecer todos os actores, como bem dizes, a juventude emergente, os actores portugueses, mas era um mundo totalmente desconhecido para mim. E alegra-me ter podido conhecê-lo porque tenho muita estima por Portugal e quando me convidaram para este festival estava encantadíssima por poder voltar.

Que conhecias de Portugal?

Tinha estado num torneio de voleibol em Cascais, por isso conhecia Lisboa e Cascais, porque era lá o torneio, mas não muito mais. Não muito mais. Em “Gelo”, como tive que viver por dois meses em Lisboa, comecei a conhecer a cultura, o idioma, a comida… Foi com esta produção.


 Estás num dos filmes mais importantes do cinema espanhol, mexicano (e até americano porque foi nomeado a Oscares e não falam de fazer remake) e foste a personagem central de uma longa ainda muito jovem. Como foi a responsabilidade de fazer um filme entre criaturas e efeitos?

É curioso porque quando és uma criança – bem, eu era consciente do que fazia e do trabalho que fazia, isso sim – mas quando tens 12, 13 anos, é como se não tivesses vergonha de nada, não tens medos. Lembro-me como uma experiência muito fluída porque creio que quando se é maior, começamos a ter inseguranças, não gostas, não sabes. Mas nessa idade tudo é fácil, não tens medo de te expores e expressar os teus sentimentos, que te mostrem, que te guiem. E isso para mim foi muito positivo porque foi como uma escola de teatro. De interpretação. Poder trabalhar com Guillermo e poder fazer o filme ensinou-me tudo o que não tinha aprendido nesses anos como actriz. Então eu levei-o de uma maneira, não diria como um hobbie, porque já tinha claro que estava num mundo profissional, com gente profissional, mas de uma maneira muito aberta a aprender. E foi o que fiz com esse filme. Aprendi muitíssimo.

Mas continuavas a ser uma criança, porque tinhas a magia, a imaginação, as criaturas… Tinhas que transmitir o sonho e o medo ao mesmo tempo. Foi-te ensinado, deram-te liberdade… Como foi?

Guillermo no geral como realizador é muito minucioso. Não é um realizador que te dê liberdade criativa. Mas isso em parte é bom porque ele tem bem claro o que quer. É muito visual. É tudo “levanta a mão agora, agora diz a frase, agora mexe-te”. E isso é bom porque sabes que o resultado final vai ser o que ele tinha em mente, não há espaço para o improviso e nesse caso para mim era muito positivo porque como criança, como jovem, não tens tantos recursos como actor. Não tens tantos instrumentos. Agora se me dizem para improvisar, pois, é mais fácil. Mas naquela idade, Guillermo guiava-me constantemente, ajudava-me a mostrar os sentimentos, punha-me na personagem, então em acredito que era em parte intuição minha, de actriz, e os outros 50% foi a ajuda de Guillermo del Toro.

Estudaste a Guerra para o filme?

Sim, estudei. Só que como estudei sempre na escola americana, não estudamos muito a guerra civil nem a época do filme, mas informei-me para poder fazer o filme. E o Guillermo mandava-me comics, mandava-me livros. Ainda que eu só tivesse 12 anos lia todos e informava-me. Porque se não, não me teria inteirado do tema. Assim aprendi muito sobre a guerra civil, e o pós-guerra.

Penso que o segredo do sucesso dos filmes espanhóis é o sentimento Aconteceu o mesmo com Balada Triste [da Trompeta], que também é uma metáfora da guerra e funciona com o público espanhol. Mas para funcionar com outros países, é importante transmitir muito bem a história.

Claro, o tema da Guerra Civil é um tema muito pessoal para Espanha.

E ainda não está resolvido.

Exacto! E além disso como é tão particular do país, é uma coisa sofrida pelos espanhóis, tens que contar uma história muito universal para que tenha êxito e para que a história possa ser entendida por um americano ou um polaco. E isso o Laberinto faz bem porque não acredito que seja um filme sobre a Guerra Civil. Creio que a Guerra Civil é um cenário, a história das personagens é o que importa. O background, digamos, não tem tanto protagonismo.


 Em Espanha és uma lenda: a menina do “El Laberinto del Fauno”. Mas fizeste muito mais e começando logo com os maiores realizadores como Paco Plaza, Jaume Balagueró, Brian Yuzna… como é crescer no cinema?

É verdade. Comecei como to aninhos. Comecei muito joven. Foi tudo o que conheci ainda que tenha terminado os meus estudos – e agora estou a estudar Direito – mas vivi sempre imerso no mundo do cinema. Desde os oito anos, mas comecei por acaso, porque me escolheram directamente, antes nunca me tinha chamado à atenção. Mas desde que fiz o meu primeiro filme, com Paco Plaza, de repente passou de ser um hobbie a ser a minha paixão. A ser o que u quería fazer. A verdade é que tenho imenso a agradecer ao cinema, não sinto que tenha perdido uma etapa da minha infância nem nada do género. Foi uma maneira de crescer como outras crianças crescem jogando voleibol ou basquetebol, eu cresci com o cinema no sangue.

E cinema fantástico.

Também, claro, tenho muito carinho pelo cinema fantástico porque, até ao Laberinto inclusive, que foi penso que o sexto ou sétimo filme que fiz, uns 90% dos filmes eram fantásticos ou de terror. Tenho muito carinho por esse género.

O que pensas do cinema espanhol nos EUA? Porque “La Nueva Hija” foi de um realizador espanhol.

Jaume Collet-Serra produz e Luis Berdejo, que também é espanhol, foi o realizador do filme. Creio que o cinema espanhol nos Estados Unidos cada vez está a ter maior importância. Penso que devido a muitos actores espanhóis que tiveram a oportunidade de trabalhar nos Estados Unidos como Paz Vega, Penélope Cruz ou Javier Bardem e isso deu a conhecer o cinema. Mas na realidade falta muito para chegarmos a eles sem traduzir. Nos Estados Unidos têm a política de não dobrar o cinema internacional, por isso é difícil, tendo eles todo o cinema americano que têm, que se interessem por um filme outro idioma. Mas penso que aos poucos estamos a fazer ruído e estamos a entrar lá.

E filmes como “Abre los Ojos” de Amenábar que têm uma versão americana? Não é dobrar, é adaptar. O mesmo com “REC”/”Quarantine”… Como te sentes sabendo que os americanos podem querer fazer uma cópia do teu melhor filme?

Isso é o pão de cada dia. Penso que o original neste caso é sempre melhor, mas afinal isto também é um negócio, não? E então cada um tem que tentar explorar o seu. Eu penso que de certa forma o facto de haver um remake, também dá a oportunidade a que alguma gente se interesse por conhecer o original. Em o remake não seriam levados a conhecer a obra original. É uma forma de o vermos. A realidade é que a indústria americana faz muito isso dos remakes, comprar os direitos e americanizá-los.

Luis Berdejo também escreveu o filme de Balagueró ou só o conheceste quanto te dirigiu?

Escreveu um dos filmes que fiz, mas era de Paco Plaza, “Cuento de Navidad”. Já o conhecia daí, mas não tem nada a ver. Entramos no projecto “La Otra Hija” por razões distintas. Foram os produtores americanos digamos, que escolhera o realizador e a actriz. Mas sim, já conhecia o Luis desde antes, como guionista.

Essa tua experiência americana foi com um actores muito importante, Kevin Costner. Como foi não só interpretar a filha dele, mas trabalhar com ele?

Na verdade foi muito interessante. Eu pensava que ia ser muito mais distante. Estava um pouco intimidada porque quando alguém tem tanta experiência em cinema, está tão consolidado, é praticamente uma lenda. A minha mãe diz que que Kevin Costner é uma super star. A ideia intimidava-me. Mas comigo foi super agradável, trabalhávamos eu e outra criança – o que fazia de irmão pequeno, Gattlin [Griffith] – e até nos recebia em casa para ensaiar. Fazia pequenos concertos com a sua banda de country… Para mim foi uma experiência muito agradável.

Em quantos países já trabalhaste?

Trabalhar? Estados Unidos, Espanha, França, Alemanha, Portugal… em Marrocos… E estive dois meses em Cardiff… bastantes sítios.

Pensas que o cinema não tem fronteiras ou há diferenças de gostos, de público, formas de trabalho…

Tudo é distinto. O cinema, penso que não tem fronteiras porque afinal, é uma arte, não? Mas sim, creio que há muitas diferenças tanto nas maneiras de trabalhar nos distintos países. A comparação mais óbvia é Estados Unidos com muitos países europeus. Uma maneira não é melhor nem pior, mas nos Estados Unidos tens uma indústria muito maior, muito mais estudada, têm muitos anos e conhecem muito melhor o sector, fazem as coisas de uma forma muito estudada. Há muito controlo, por exemplo para os menores, para que possam estudar e trabalhar. Portanto a maneira de trabalhar é muito diferente. O público é distinto. É distinto o que interessa a um americano e a um francês. Mas isso não implica que o cinema não seja apenas uma maneira de contar histórias e isso não tem fronteiras.

Muito bem dito. Fazes bem em estudar Direito.

Obrigado. Sim, sim, sim. Acabei os estudos com dezoito anos e disse é “agora ou nunca” e pus-me a estudar Direito.

E consegues conciliar as duas coisas?

Sim, de momento sim. Eu estudo e todos os exames obviamente são presenciais, mas a parte das aulas, permitem-me fazer à distância. Todos os trabalhos que escrevo, envio todo o material. É uma forma muito prática porque viajando tanto seria impossível ir às aulas todos os dias.

Provas que é possível estudar e fazer cinema.

Sim, sou um exemplo disso. É possível. Porque na profissão de actor há muito tempo livre. Por vezes passas três meses sem parar e depois tens dois meses sem nada para fazer. É um bom momento para explorar outras coisas.

Como te vês dentro de vinte ou trinta anos?

Bem… O meu desejo seria ter uma carreira estável, tanto nos Estados Unidos como em Espanha como actriz. Poder trabalhar nos dois países. Porque gosto muito de como funciona a indústria americana, mas também tenho muito carinho pelo cinema espanhol, foi onde comecei. Não sei onde viveria, mas ter uma carreira estável, poder viver do cinema e trabalhar nos dois sítios.

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