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Crítica a "Masters of the Universe"

el  domingo, 11 janeiro 2015 23:00 Escrito por 

Quase trinta anos após o original chegará um novo “Masters of the Universe”. Voltando a 1987 para revisitar He-Man e companhia, estamos perante um filme que ninguém consegue (ou quer) recordar.

As produções Cannon-Globus tinham ambição de serem as maiores. Por isso anunciavam títulos às dezenas (basta recordar o ano em que anunciaram 25 filmes em Cannes, incluindo “Lifeforce” e “Le Soulier de Satin”) e pegavam em tudo que tivesse o potencial de adaptação. Se agora nos vemos rodeados pelas correntes de adaptação dos comics, das séries e dos young adult, há trinta anos a Cannon-Globus estava em todas as frentes. Adaptavam comics ("Superman IV"), brinquedos (este caso), clássicos ("Hercules", "Sinbad") e ainda faziam originais. Muitos dos títulos (a maioria) não são recordados espontaneamente, mas há muitos que ficaram na história do cinema. Há uma preferência em recordar os maus como de culto (a Semana de San Sebastian fê-lo em 2013), mas também os há bons. Falando deste nosso mau filme, por onde começa o problema?

O que queriam
O argumentista David Odell parecia uma boa escolha. Com uma carreira longa e variada em cinema e vários anos com os Muppets, saberia agradar ao público. Digamos que este foi o último filme que escreveu e não é por ter morrido, continua vivo. Apesar de estarem cheios de intenções, o dinheiro não chegou para tudo (só em 1987 estrearam 6 filmes próprios) e começaram a esticar onde podiam. O realizador estava a estrear-se no cargo, só tinha escrito um filme antes. Não se podia usar efeitos bons, não se podia arranjar duplos…
Do ponto de vista narrativo, colocar os buracos em sequência dá-nos algo com metade da duração do filme. Além do detalhe de não serem muito fiéis ao material - em parte porque se basearam mais nos brinquedos do que na série infantil, mas até aí foi muito ao lado - conseguem não apresentar as personagens, assumindo que as duas temporadas animadas seriam suficiente para todos conhecerem Man-At-Arms e  sua filha adoptiva Teela. Como o orçamento não permitia extravagâncias em deslocações espaciais para a filmagens, segue-se um desvio na história para semearem o caos na Terra onde é mais barato rodar e por aqui ficam todo o filme como se não tivéssemos já problemas suficientes. Pelo menos a viagem à Terra foi descrita como um mero acaso e portanto na planeada sequela estaríamos a salvo disso. Como não houve sequela e haverá um reboot, não estamos livres de o novo filme repetir a graça.

O que vemos
Com um elenco que tinha Dolph Lundgren no seu apogeu de Ivan Drago, que tinha Frank Langella pré-sucesso cinematográfico e Courtney Cox pré-qualquer-carreira, não são esses nomes que se destacam. Quem recordar vagamente a série, talvez visualize um tigre verde e algum ocasional combate com espadas num planeta distante. Aqui não há nada disso. Focaram-se nas pistolas laser, trouxeram-nos para a Terra e lançaram o caos. A única cena de interiores em Eternia faz lembrar em muito “Flash Gordon”, e o exagero dos combates no nosso planeta faz esquecer que estamos a falar dos Masters of the Universe até que um tipo loiro em tronco nu com espada às costas nos recorda o filme em questão. Tirando isso, há gags com James Tolkan (o director da escola em “Back to the Future”) um estranhíssimo Gwilbor inspirado nas criaturas de Henson e instrumentos que apenas quem viveu nessa época poderá perceber porque aparecem, pois não fazem sentido nenhum.
Quando o filme começa a ter alguma aceitação, entra em modo bélico. Esses combates são tal anedota que voltamos a acreditar estarmos a ver um filme infantil. O único ferimento razoável é o da perna da Julie, todos os outros são tão maus e causados por efeitos tão piores, que nenhuma restrição etária faz sentido. Numa época em que os combates espaciais e os sabres de luz fazem parte do passado, não se justificam chicotes de luz desalinhados com a mão. Quando o terror está num dos seus expoentes, como podem feridas básicas parecer horríveis? E até a edição de som falhou no alinhar o célebre grito de He-Man com os lábios dele.

 

Há um único motivo cinéfilo válido para ver este filme. É a facilidade em perceber a ténue fronteira entre o mau filme e o filme de culto. Esta época está carregada de ambos e a divisão nestas duas listas é quase unânime ainda que alguns títulos estejam orgulhosamente em ambas. Vendo alguns dos maus primeiro para enquadramento, mais facilmente encontrarão os pequenos detalhes que distinguem os filmes que, vistos de longe e sem contexto, nos parecem igualmente dispensáveis. Depois de ver este, quase qualquer coisa é melhor.

 

Agora, de volta à infância.

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