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Crítica a "I Saw The Devil"

el  quarta, 15 fevereiro 2012 19:35 Escrito por 

 

O cinema asiático sempre foi prolífero em fitas de um negrume incontornável. Fitas que nos surpreendem pelo arrojo das suas narrativas nada convencionais e hiper-violentas. Fitas que rapidamente acolhem adeptos de estômago forte um pouco por todo o mundo, tornando-se obras de culto obrigatórias para qualquer cinéfilo que se preze. Este “I Saw the Devil” (“Akmareul Boatda”, no original sul-coreano) é apenas a mais recente confirmação disso mesmo. Diga-se que, com o mesmo realizador de filmes como o arrepiante “A Tale of Two Sisters” e o mesmo actor do fantástico “Oldboy”, as expectativas em relação a esta obra já eram mais que muitas. E como o Fantasporto 2011 (festival que lhe atribuiu os prémios de Melhor Realizador da Secção Oficial de Cinema Fantástico e Melhor Filme da Secção Oficial Orient Express) veio a confirmar, “I Saw the Devil” é mesmo um dos filmes mais brutais, intrigantes e perturbadores dos últimos anos, facilmente se afirmando como uma daquelas pérolas da 7ª Arte que, infelizmente, passará despercebida pelo grande público (por falta de espaço no mercado de distribuição nacional), mas que, felizmente, ficará para a História do cinema como um dos seus maiores marcos.

Estamos a falar de uma obra inteligentíssima a todos os níveis, que nos mantém colados à cadeira do primeiro ao último minuto, dando-nos a oportunidade de seguir as peripécias de personagens tão tresloucadas quanto verosímeis. De facto, “I Saw the Devil” apresenta sequências tão insólitas que a audiência se escangalha toda a rir. Mas logo a seguir, a câmara firme e corajosa de Jee-woon Kim e muitos litros de sangue voltam a impor o mais absoluto respeito, lembrando essa mesma audiência que está a assistir a uma das obras mais arrepiantes dos últimos anos, onde as personagens nunca deixam de ser credíveis e onde a simples frieza com que tudo é filmado tem o dom de deixar o mais valente dos espectadores de coração bem apertado. Ao interpretar o papel de um psicopata que se diverte a raptar meninas perdidas na noite com o seu autocarro escolar, apenas e só para esfrangalhá-las no seu armazém de aspecto maquiavélico, Min-sik Choi (o tal actor de “Oldboy”) brinda-nos com aquela que é, porventura, uma das melhores actuações da sua carreira. E através do agente secreto (interpretado por Byung-hun Lee) que parte atrás do serial killer para vingar a morte da sua noiva grávida, Jee-woon Kim conquista uma forte ligação emocional com o espectador e garante um bom conjunto de sequências tão cómicas quanto brutalmente espectaculares.

Que o cinema de terror sul-coreano respira oxigénio no seu estado mais puro já não é novidade para ninguém. Com os seus cenários verdadeiramente inquietantes, a sua narrativa absolutamente deslumbrante e uma sequência final do melhor que o cinema tem para oferecer, “I Saw the Devil” facilmente se afirma como um forte candidato às listas Top Ten do ano de qualquer aficionado da 7ª Arte. A sua duração excessiva (são duas horas e meia de gore e violência psicológica sem limites) é o único ponto menos bom que lhe consigo apontar, pois torna a película demasiado cansativa e, por vezes, quebra um pouco o ritmo da acção. Fora isso, contudo, “I Saw the Devil” é uma obra que roça a perfeição cinematográfica, afirmando-se como um pequeno grande filme que não deve ser menosprezado.

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