Scifiworld

Crítica a "It Follows"

el  sexta, 12 setembro 2014 14:18 Escrito por 

Filme sensação de Cannes esteve no MOTELx.

Há alguns anos apareceu um filme engraçado chamado “Cherry Falls” onde quem era virgem seria brutalmente morto por um assassino mascarado. Esse mito urbano, semelhante ao que de vez em quando se torna moda em países subdesenvolvidos africanos, foi um pretexto para começarem umas orgias. Pois em “It Follows” há uma maldição parecida, mas com algumas variantes. Imaginem que estão na multidão e vêm alguém que caminha na vossa direcção. Alguém que mais ninguém vê. Alguém que não tem sempre o mesmo aspecto. Pode ser novo ou velho, homem ou mulher, alto ou baixo, magro ou gordo. A única coisa que não muda é que caminha sempre na vossa direcção. Alguém que, quando vos tocar, não será carinhoso. Pelo contrário, será para vos desfazer em agonia. É melhor estarem alerta. Como é que isso aconteceu? Bem, é porque fizeram sexo com a pessoa errada.

itfollows1

Quase como se de um jogo se tratasse, “If Follows” é uma metáfora das doenças ssexualmente transmissíveis. É uma maldição sexualmente transmissível. Vemos pessoas em pânico a tentarem passar para outro como que para terem algum tempo mais de vida. Porque a receberam sem merecer, o mais correcto é passar a outra pessoa inocente? Olhando para o que acontece a quem é apanhado, diria que sim. Mas Jay é diferente. Ela não quer que ninguém morra por causa dela e portanto tenta fazer o que todos antes dela tentaram: foge. Quando isso falha, tenta o que ninguém tentou (ou pelo menos ninguém conseguiu): ripostar. Com um grupo de amigos reduzido mas dedicado, Jay tem algumas hipóteses de fazer a diferença.

itfollows2

Com uma premissa engraçada, “It Follows” depressa mostra o rumo que pretende tomar. Vai ter gore, vai ter perseguições (se se pode dar esse nome quando o gato caminha para o rato) e vai ter sexo. Tem muitas semelhanças com o cinema dos anos 80, em especial o inevitável Carpenter, pela sua construção, pela escolha dos espaços e mesmo pelo novo respeito pelo género. Acostumamo-nos a filmes onde o sexo, ou pela menos a sensualidade, se evidenciam antes do gore. Preferem mostrar pele a mostrar sangue. Aqui, apesar de Maika Monroe ser bastante atraente, não abusam da imagem dela. Há nudismo (não dela), mas mais depressa sentimos medo do que excitação quando nos apresentam uma pessoa nua. O terror light é o foco desta obra de terror adolescente. E o facto de o vilão não ter um rosto, evidencia que temos de ter medo do próprio medo. Não é como o clássico “The Entity” em que se tinha medo do invisível. Aqui temos medo de todos os que se dirigem para nós. Isso é capaz de tornar qualquer um anti-social e paranóico. O facto de o realizador (pelo que disseram no festival) ter tido essa fixação na infância, talvez explique como cresceu para se tornar um autor de terror.

Talvez o mais curioso não seja a claustrofobia - por se precisar de espaços com espaço para correr e várias saídas - mas o contraste entre ter medo das pessoas e precisar delas para passar a maldição. Não é filme que assuste no momento, mas tem muito alimento para pesadelos por isso, preparem-se para serem perseguidos por alguns dias.

Deixe um comentário

Certifique-se que coloca as informações (*) requerido onde indicado. Código HTML não é permitido.

Mais Vistos

 

C/ Celso Emilio Ferreiro, 2 - 4°D
36600 Vilagarcía de Arousa
Pontevedra (España)

Redacción: 653.378.415

info@scifiworld.es

Sobre Scifiworld

Copyright © 2005 - 2019 Scifiworld Entertainment - Desarrollo web: Ático I Creativos