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Crítica a "Spider-man: Into the Spider-verse"

el  segunda, 01 abril 2019 20:00 Escrito por 

Somos todos Homem-Aranha

Segundo os estudos de rentabilidade de marca, o Spiderman é o herói de banda desenhada mais valioso. Não vi inquéritos que fossem ao detalhe, mas atendendo que o segundo lugar é de Batman, os super-poderes parecem não ter grande importância. Enquanto o morcego é um mestre da estratégia e do combate com todas as ferramentas ao seu dispor, no caso do aranhiço a verdadeira dimensão dos seus poderes nem tem sido muito explorada. O lugar cimeiro é merecido por aquilo que representa como um miúdo e amigo da vizinhança. Esta opinião é muito influenciada pelos desenhos animados com que cresci de “Spiderman and Friends”, mas os infantes deste século concordam.

Sou do tempo em que Spiderman era sinónimo de Peter Parker, mas da mesma forma que as relações pessoais de Peter vão mudando com os anos e dependem dos universos, também os poderes de Homem-Aranha por vezes são entregues a outros indivíduos de igual valor. Ou, nas palavras imortais de Stan Lee (adaptadas), “aquele que seja picado, se for digno, possuirá os poderes de Aranha”. Nos livros mais recentes Miles Morales foi escolhido para recomeçar as aventuras do Homem-Aranha e, após algumas críticas, tornou-se mais uma versão. Só ainda não tinha o reconhecimento necessário pelo grande público. Este filme veio colmatar essa falha e mostrar que tal como a altura, a força e a idade não fazem de alguém um super-herói, também não faz sentido esperar que a raça, género ou espécie sejam fatores determinantes. O que importa é estar à altura da ocasião.

“Into the Spider-verse” começa como qualquer filme de origens. Só que, devido a um plano maquiavélico de Kingpin, temos vários universos sobrepostos e vários Aranha são chamados a defender a existência do universo. Um dia normal de trabalho. Por isso vamos ouvir as diferentes origens que são basicamente a mesma. Miles é picado na altura deste evento catastrófico e o Peter do seu universo não tem tempo para o treinar, mas entre todos, conseguirão passar-lhe algumas dicas úteis e juntar mais um valioso aliado à sua equipa multi-universo.

O plano maligno não é dos melhores. O vilão ainda é quase desconhecido do grande público. O filme podia ser uma das fúteis tentativas da Sony se segurar aos direitos cinematográficos de Homem-Aranha, mas surpreendentemente não é. Com uma animação de qualidade que cruza estilos e técnicas e uma narrativa muito centrada nas personagens e nos traumas e dilemas comuns a todos eles, é um filme sobre o que custa ser Homem, Mulher ou Porco-Aranha. Em suma, o que se exige a alguém anónimo para ascender ao mundo dos super-heróis. E tão bem como nos livros de quadrinhos com que crescemos, esta animação faz cada espectador acreditar que, casa surja uma oportunidade de mostrar o seu valor, os universos podem confiar em si.

A vitória no Oscar não foi uma surpresa. O meu prognóstico foi para este título. Ainda que para os adultos “Isle of Dogs” fosse um melhor filme de animação, é importante recordar que a animação ainda é território maioritariamente dedicado às crianças. Todos os nomeados cumprem o seu papel didáctico e ajudam a criar cidadãos responsáveis, mas a nostalgia é um factor incontornável e da primeira cena até à cena pós-dez-minutos-de-créditos “Into the Spider-verse” é a súmula do que faz um grande filme infantil. Como elemento extra, tem Stan Lee a dizer que conheceu Peter Parker. Como se pode não gostar de um filme que sabe tudo o que tem de fazer para nos agradar e ao mesmo tempo nos impinge o novo herói?

Todavia, o mais importante nem foi isso. Foi que pela primeira vez em muitos anos, um filme conseguiu cumprir a missão fundamental dos comics e contribuir para um mundo melhor. Como? Relembrando que alguém, algum dia, terá de dar continuidade à missão daqueles que idolatra. Com grande poder vem grande responsabilidade e essa responsabilidade continuará com alguém depois de a pessoa que achávamos insubstituível partir. Esta evolução de Peter Parker de aluno a mestre funciona para os mais velhos. A oficialização de Miles Morales como herói funciona para os mais novos. A presença da Spider-Woman apesar de pequena é um bom exemplo para o seu género. O filme tem de tudo um pouco e tornou um argumento que podia ser de um episódio da série, numa obra extremamente completa que funciona em cinema.

Da mesma forma que as animações Warner – por mais loucas que sejam - são a melhor forma para se ver os heróis da Justice League, desconfio que a Sony Pictures Animation fará um trabalho ímpar com o Universo Aranha.

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