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Crítica a "Don't Leave Home"

el  sexta, 14 setembro 2018 07:20 Escrito por 

Estreia hoje nos EUA.

As sessões da hora do almoço no Motelx sempre foram de desconfiar. É onde colocam os títulos menos apelativos e que, por coincidência, são os mais propícios a fazer uma soneca. Sim, há filmes de terror que permitem dormir bem. Quando o programa e o bilhete dizem para “Não sair de casa”, porque será que não damos ouvidos? Porque por vezes temos surpresas.

Produção americana rodada maioritariamente na Irlanda, “Don’t Leave Home” podia combinar o pior dos dois mundos. Por um lado é um filme independente americano que roça o telefilme. Por outro é influenciado pelo gótico europeu e uma homenagem os anos 90, que não são um período muito fértil em terror europeu. Só que atrás das câmaras está Michael Tully, ex-editor do site especializado Hammer to Nail e um fã do cinema. Se nos seus filmes anteriores homenageou outras épocas e géneros com relativo sucesso, esta experiência no thriller merecia uma oportunidade. Nota-se que há problemas no argumento (também de Tully), mas tem outros elementos melhor conseguidos.

A história acompanha Melanie Thomas (Ann Margaret Hollyman), uma artista de dioramas. A mais recente exposição em que estava a trabalhar sofre uma fuga de informação que a desmoraliza. O seu trabalho é criticado, mas o tema chega ao outro lado do oceano e recebe um convite da Irlanda para lá ir passar uns dias. É que a sua obsessão com as almas perdidas, em especial o desaparecimento de uma menina há muitos anos, é partilhada com um dos envolvidos no caso. O padre retirado Alistair quer que ela faça uma nova peça para ser leiloada entre os seus amigos coleccionadores. Desejosa de fugir do meio onde é criticada, aceita de bom grado a viagem e o trabalho, não imaginando que se vai envolver em algo inacreditável.

A Irlanda teve um período pródigo em desaparecimentos. Além dos crimes habituais, tiveram uma guerra civil com raptados, mortos e desaparecidos e demasiados casos de crianças retiradas a mães solteiras nos centros que as deviam apoiar. Começar o filme com o desaparecimento de uma criança de ar angelical dá o tom para a história. Será sobre perda e angústia e esses são os sentimentos que dominam o ex-padre, a sofrer por algo que se passou há muitos, mas ainda o persegue. A narrativa vai-se desenrolando enquanto Melanie convive com os habitantes da lúgubre mansão. Ela não se sente confortável, mas ao mesmo tempo está fascinada. Esse é o grande problema do filme, que nos tenta vender o mesmo por demasiado tempo. Sabemos que algo está errado, mas não de quem e a culpa. O suspense vai tomando várias formas, mas a história não sai o sítio. Quando finalmente é dado um segundo passo, estamos quase no fim. Já terá perdido a maior parte dos espectadores quando tem algo de diferente e ousado para mostrar. Mesmo no final, o que parecia ser uma falha imperdoável, é o twist que devia impressionar o espectador com uma marca indelével. Não funcionou, mas a intenção foi boa.

Do ponto de vista técnico não há nada a apontar. Os poucos efeitos são competentes e a fotografia trasmite interiores, florestas e a pouco luminosa Irlanda como deve ser vista. A música é um elemento chave da obra e integra-se de forma competente. Os actores irlandeses dão performances convincentes e mesmo a prestação algo desajustada de Hollyman é justificada por ser uma personagem fora do seu elemento. Como o filme se centra nela temos tempo para a ver em vários registos. Esta incursão de Tully no género não é para todos os públicos e não deve ser vista ao início da tarde, mas merece uma oportunidade.

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