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Crítica a "Elizabeth Harvest"

el  segunda, 10 setembro 2018 14:30 Escrito por 

Abbie Lee ruiva contra o Barba Azul.

O encerramento do MOTELx ficou entregue ao venezuelano Sebastian Gutierrez que conhecemos como argumentista de filmes como “The Eye”, ”Gothika” e “Snakes on a Plane”. Estes argumentos são mais do que suficientes para ignorarmos as suas saídas do género em “Elektra Luxx” (que realizou) e “The Big Bounce”.

A história começa com uma narração feita por Elizabeth. Com um tom de voz onírico, descreve as suas ambições de vida: encontrar um homem que a proteja do mundo. Quando a câmara de aproxima vemos que isso não será difícil. É uma mulher deslumbrante com cabelos ruivos e olhos azul-claros que fazem com que qualquer um se apaixone à primeira vista. A sua personalidade é que parece demasiado submissa. Stepford Wife submissa. Essa viagem é do seu casamento para a casa do marido. Henry é um homem bastante mais velho que numa breve introdução mostra ser culto, abastado e atencioso. Na visita guiada pela casa revela todos os tesouros que irão partilhar. Tem como única condição que ela não entre numa porta. Qual será o segredo deste Barba Azul dos tempos modernos? Irá a esposa perfeita ignorar a única regra e colocar o dedo no sensor biométrico que lhe dá acesso? Irá um momento inocente de curiosidade matar esta gata?

O segredo da sala é um spoiler significativo que faz lembrar muito outro filme, pelo que será melhor não entrar em detalhes nesse tema. Digamos só que a vida de Elizabeth vai mudar. O pequeno leque de personagens contribui para enriquecer a narrativa, com diferentes episódios da relação entre Henry e os seus auxiliares. Será a combinação de todas essas informações que nos permitirá vislumbrar o que se passou e porque é Elizabeth tão preciosa.

Honestamente, a sensação de déjà vu com outros filmes é um grave problema. Gutierrez escreveu a solo, mas foi beber a muitos filmes recentes de FC. Filmes de culto, que o público viu de certeza. Precisaria de mais elementos diferenciadores para ter mérito próprio. Pegar no que funcionou noutro lado não é arriscar.

O elenco reunido é de qualidade. A modelo Abbey Lee que vimos como símbolo da perfeição em “The Neon Demon” e troféu em “Mad Max: Fury Road” consegue segurar o filme com a sua parca experiência de protagonista. Tinha de parecer algo perdida do mundo e ofuscada pela opulência, mas dar um ocasional grito para impor o respeito. Isso está cumprido. Carla Gugino tem um papel daqueles que tem feito recentemente. Continua a utilizar o corpo como arma de sedução irresistível, mas tem um lado carinhoso e materno que surge entre as várias camadas que a sua personagem cria ao longo dos anos. Ciarán Hinds parece algo desenquadrado e sabemos que não é falta de jeito. O actor dá vida a um louco frequentemente alienado da realidade e talvez tenha exagerado. Matthew Beard cumpre como o auxiliar cego e é o único escape humorístico que o filme usa de forma parcimoniosa. Falta um pouco de química entre todos, mas o foco na Elizabeth de Lee disfarça essa falha. Ela é o elo em comum e ela não está para conversas com ninguém.

Este giallo moderno aproxima-se das regras do género. Visualmente a cor é muito importante. Foi usada de forma básica e explícita, mas cumpre a sua missão. Temos a tal questão capilar de Elizabeth que a torna única e figura destacada em qualquer lugar. Será o centro da narrativa. Quando o cenário está em tons de azul é para puxar ao lado científico, tudo o que rodeia o trabalho clínico de Henry e o território reservado do Barba Azul. Quando a fotografia assume tons vermelhos tenta apelar o terror, mas normalmente é apenas um thriller. Os momentos intensos estão demasiado espaçados para manter alguém empolgado. Visualmente houve um astuto recurso ao split screen para ilustrar as perspectivas do gato e do rato. Por vezes o ecrã está demasiado escuro para se perceber isso, mas na maioria das cenas foi a melhor opção. A câmara e tudo o que envolve enquadramento, cor e composição é uma das melhores armas do filme que nos inunda com planos brilhantes, ainda que não seja consistente. Existem muitos planos bons, mas entre eles há um vazio que tentaram encher com uma visão artística de pouca eficácia.

Quando termina sabe a pouco. Se não estivesse tão próximo do que outros filmes fizeram, teria explorado o seu potencial para muito mais. Entretém, mas não passa disso.

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