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Crítica a "The Ranger"

el  domingo, 09 setembro 2018 11:40 Escrito por 

O slasher continua a reinventar-se para não passar de moda.

Quem nunca viu um filme onde um grupo de jovens passa uns dias numa cabana no bosque e as coisas correm mal? Precisamente. Todos sabemos que a decisão de um grupo foragido da justiça se refugiar na cabana onde Chelsea, uma das suas artistas, passava as férias na infância, não vai ter um bom desfecho. Para mais se ela deixou de lá ir porque algo de aterrorizador aconteceu. O mal que reside no bosque aguardou uma década para voltar.

Este novo slasher conta a história de uma banda punk. Acostumados a música barulhenta e droga potente, quando a sua única opção é irem viver para o meio do bosque vão destoar. O guarda-florestal tira-lhes logo a pinta e alerta-os que aquele é o seu território. Eles que pisem a linha e serão devidamente repreendidos. Chelsea sabe o que isso quer dizer e bem que os tenta educar, mas aquela gente não se sabe comportar. Vão precisar de um corretivo um pouco mais eficaz. E ela não terá de se incomodar com isso porque alguém no bosque se encarrega de o fazer por ela.

Começando pelo ponto óbvio, este filme é realizado por uma quase estreante. Contudo, Jenn Wexler é produtora de filmes de terror pelo que conhece as regras. E logo como co-argumentista está preparada para não as seguir. Chega de filmes feitos por uma única fórmula gasta. Era sabido que seriam feitas imensas comparações, mas “The Ranger” passa ao lado disso. Quebrou regras dos slashers, mantendo a ideia de a final girl ter de ser uma coisinha adorável que ninguém quereria matar, mas alterando as outras como lhe aprouve. Como realizadora foi refrescante ver que não explorou a claustrofobia. Para ver uma banda punk fechada temos "Green Room". Prefere levar-nos para entre as árvores e provar que a escuridão, o isolamento e o medo do inimigo desconhecido, bastam para causar todas as sensações desejadas. A narrativa divide-se em alguns eventos quase paralelos e vai alternando o suspense com terror e algum humor da típica sessão da meia-noite.

“The Ranger” tem na sua estrela Chloe Levine um grande trunfo. A actriz já tem algumas dezenas de títulos no currículo, incluindo séries televisivas e filmes que competiram em Cannes. Também é uma artista multi-facetada que já escreveu, produziu e dirigiu pelo que conhece o cinema e criou uma personagem que se sente próxima, perdida entre dois mundos, que esconde um segredo, com tantas camadas que vai sendo uma surpresa até ao fim. O elenco secundário faz o que lhes competia, mas o imponente Jeremy Holm (de “House of Cards” e “Mr. Robot”) como Ranger consegue roubar o protagonismo. Nota-se que a sua personagem está a jogar em casa e que gosta de fazer cumprir a lei. Vê-lo a recitar leis perante o visitante indesejável é lindo. É tão assustador que, perante um crime verdadeiro, até os delinquentes querem ir ter com ele.

No seu conjunto, é um filme muito agradável. Perfeito para uma sessão tardia de festival e para descansar de um dia repleto de horror com umas risas e amputações. Como cinema comercial também poderá funcionar. Ainda que o título não seja muito apelativo, agora que o conheço seria bem capaz de pagar para o ver em sala. De notar que tem apenas 77 minutos. Não se estica para lá do que era preciso com twists que arruínam a história.

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