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Crítica a "Anna and the Apocalypse"

el  sábado, 08 setembro 2018 10:25 Escrito por 

Que belo dia para estar vivo!

Poucas coisas elevam mais o espírito do que um bom musical. Movimentos alegres e rimas contagiantes podem até destruir a narrativa, mas animam a plateia. Normalmente os musicais são comédia, ocasionalmente vem um drama, e muito raramente vemos um de terror. Já os musicais festivos, como no Natal, são habituais. Mais habitual só o terror de Natal. Mas uma comédia, drama juvenil, filme de zombies e de temática natalícia? Tenho quase a certeza que é algo novo. Para ser correcto, não se pode esquecer a curta “Zombie Musical”, mas esta é a sua versão longa. Bem-vindos ao maravilhoso e mágico Natal de Anna! Terá pinheiros, luzes, prendas e carne putrefacta.

Anna é uma rapariga normal. Tem o desejo de viajar, mas o pai não quer que ela abandone os estudos. John, o seu maior amigo e apaixonado por ela desde sempre, apoia-a nesse sonho, mesmo sofrendo com a perspectiva de a perder. Mas agora é Natal e não podem pensar nisso. A escola aperalta-se para a festa, enquanto Anna e John terão de trabalhar. Essa será a última noite normal das suas vidas. Porque nas sombras, a estranha doença que deixou de cama tantos artistas da peça está a evoluir para algo mais. O Apocalipse está a chegar, montado num trenó.

Os trailers do filme são esclarecedores. Vai ser uma comédia, um musical, e terá zombies. Este filtro aplicado bem cedo, garante que a sala só terá os interessados neste apelativo cruzamento. Quando se chega ao visionamento, tudo começa no genérico. Uma divertida e competente animação apresenta as personagens, as suas relações, e se podemos gostar ou não deles. Depois somos imediatamente mergulhados no drama e rapidamente nos deixamos contagiar pela febre da música. Há momentos em que a narrativa opta por esquecer o musical, mas somos frequentemente brindados com temas geniais, contagiosos e que dão vontade de cantar. O terror também está presente. Famílias desfeitas que se querem reencontrar, pessoas devoradas, zombies ao virar de cada esquina e escondidos debaixo da árvore... Que mais se podia pedir? Bem, temos sempre o lado negro da Humanidade a vir ao de cima. Humanos que pilham, que matam, que sacrificam o seu semelhante… e uma música a acompanhar tudo isso.

A estrela do filme é Ella Hunt como Anna. A actriz que já tínhamos visto em “Robots Overlords” é a famosa tripla ameaça: enorme beleza, à vontade com a câmara e dotes musicais. A cena tornada em trailer dela a cantar pelas ruas desertas podia ser todo o filme que não precisávamos de mais. Mas ela traz companhia. Malcolm Cumming, Sarah Swire, Christopher Leveaux, Ben Wiggins e Marli Siu são os jovens que cantam. Personagens estereotipadas sem nada a apontar que vão tendo os seus momentos. Siu é a primeira a brilhar com uma música inesperada que nos convence logo do brilhantismo do filme, mas todos terão oportunidades de brilhar. Mark Benton é o pai que nos surpreende com a sua voz. Tem pouco protagonismo, mas quando surge rouba o espectáculo. Paul Kaye (Thoros of Myr em GoT) é o seu grande inimigo. O director que exige o cumprimento de regras em todas as situações, inclusivamente um ataque zombie. Com este elenco praticamente desconhecido, mas de enormes dotes musicais, “Anna and the Apocalypse” cumpre o que promete. Dá-nos o filme que não sabíamos que queríamos ver desesepradamente. Criou músicas muito bem escritas, que ficam na cabeça e apetece cantar no jantar de Natal do trabalho. Causa risos em situações que não devíamos rir. E tem aqueles maravilhosos zombies lentos que surgem quando menos se esperava e nos levam um dedo ou uma perna. Zombies rápidos não seriam um bom musical.

O maior trunfo do filme foi o argumento. Elegantemente construído como romance adolescente, vai evoluindo pelos terrenos da comédia. O terror nunca fica demasiado intenso para alienar outro público, mas enche as medidas dos aficionados do terror com muito gore e várias mortes divertidas que fazer disparar os aplausos. Para dirigir, John McPhail foi contratado porque Ryan Mchenry (o realizador da curta) não viveu para fazer esta versão. McPhail adoptou o projecto como seu e deu-lhe todo o amor necessário. Não usa os planos esperados do musical (a geração Glee, pode ficar algo confusa), mas dá-nos um filme que cruza géneros parecer uma manta de retalhos.

Felizmente o filme está a caminho das salas para este Natal. Agradeçam à Orion que reentrou no mercado do fantástico e nos está a fazer recuperar os anos perdidos. Esperemos que tenha nova oportunidade de ser visto em Portugal porque já estou na fila para os bilhetes.

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