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Crítica a "Veronica"

el  quinta, 06 setembro 2018 11:50 Escrito por 

Um eclipse traz sempre a escuridão.

Paco Plaza tem sido muito inspirado pela religião e pela história para nos trazer histórias de terror. “El Segundo Nombre” tem cemitérios, padres e seitas. “Cuento de Novidad” é uma história de Natal sangrenta. A saga “REC” começa com um segredo da Igreja Católica e inclui um casamento religioso no seu filme a solo. Em “Veronica” a história não precisava de uma ligação directa à religião. A brincadeira com o tabuleiro Ouija podia ter tido lugar em qualquer sítio. Mas é num colégio de freiras. E tal como “Romasanta” (este não é religioso apesar do nome) vai buscar o pior da História Espanhola para nos dar um filme onde realidade e fantasia se confundem. Como dizem no final do filme, “este é o único relatório policial na história de Espanha onde a palavra paranormal foi utilizada”.

Veronica é a mais velha de quatro irmãos. O pequeno Antonio e duas gémeas. A mãe viúva tem um bar para gerir até tarde e raramente está com os filhos. Por isso Veronica é que os acorda, lava, veste, alimenta e leva para a escola pela mão. Apesar disso é ainda uma adolescente que faz asneiras típicas da idade. Como aproveitar um eclipse solar total para se ligar ao além na companhia de duas colegas. O processo não corre bem e é interrompido quando Veronica se magoa. Elas tentam esquecer o percalço e agradecem não terem sido castigadas por isso, mas Veronica não está na mesma. Algo a persegue. Algo se esconde nas sombras de sua casa.

A carga emocional por dizer que é baseado em factos reais, pressiona “Veronica” para ser credível. Não é fácil equilibrar o “foi assim que aconteceu” com o “o paranormal é real” e o filme anda na fronteira por muito tempo. A exploração dos espaços fechados não preocupa Plaza que se celebrizou precisamente nos filmes de cenários pequenos e corredores exíguos. A cave e a casa são o seu terreno favorito para manipular os sentidos e construir a atmosfera de um filme de terror onde antes só havia alegria familiar. Dura quase uma hora essa obra minuciosa. Não deixa grandes pistas, apenas brinca com os espectadores enquanto os leva para um território que nos é muito familiar. Uma fotografia e som exímios teriam sido suficientes, mas a estreante Sandra Escacena não se assustou e tem uma performance sólida que muitas profissionais gostariam de imitar. Por isso é que o filme foi granjeando uma fama exagerada. É um filme banal de terror, feito por quem tem anos disto. Como nós sabemos, a concorrência não tem sido muito forte e Plaza reina. Tal como vimos em “Genesis”, este realizador sabe homenagear os clássicos de forma honesta e aqui temos uma aura de época com reflexos do cinema de então, mas tecnologia muito superior. Uma flexilidade de câmara que serve a arte, em vez de a usar. E o seu maior trunfo, uma protagonista que surpreende.

Quando chega à meia hora final e é preciso começar a mover as peças para dar o cheque-mate final, já estamos presos naquela teia. A história galopa e a câmara não pára. Enquanto Escacena se excede como protagonista, Veronica ergue-se como antagonista do Mal. No final, dá uma sensação de dever cumprido. Foi credível qb. no mundo real e assustador qb. na componente sobrenatural.

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