Scifiworld

Crítica a "Jeepers Creepers III"

el  domingo, 26 agosto 2018 09:00 Escrito por 

Parece que passaram outros 23 anos.

Estávamos em 2001. O terror estava a abrandar e além de Craven ninguém parecia capaz de dar algo novo ao género. Até que surgiu um título discreto. "Jeepers Creepers" fazia o que nenhum outro conseguiu. Um monstro diferente e indestrutível, com uma aura de criatura mítica e completamente ritualista, com uma paixão musical desconcertante. Um número muito reduzido de personagens e cenários, mas um trabalho hercúleo na construção de uma cena que, juntamente com o final, causariam calafrios por anos. O terror tinha uma nova cara e o seu nome era Victor Salva. Até Coppola investiu nele. Quando saiu uma sequela, todos pensavam que este Creeper seria um novo Krueger, Voorhees ou Meyers. E depois o mundo real disse o que era o verdadeiro terror. Salva caiu em desgraça e a saga foi arrastada na lama enquanto o seu autor passou uns tempos na prisão.

Em 2017 Salva saiu e quis voltar ao cinema. Quis completar a trilogia que lhe tinha dado a fama. Só que os tempos tinham mudado e tinha uma trindade contra ele. O terror não era mais um género pobre. O público tinha esquecido este monstro. O realizador estava proscrito. Como se pode triunfar se nem a pessoa é respeitada, nem a obra é lembrada, nem as regras do jogo são as mesmas?

A terceira parte continua a ter Jonathan Breck como Creeper e Gina Philips está de volta para um pequeno cameo. Entre as novidades o nome sonante é Meg Foster, mas também encontramos Stan Shaw, Brandon Smith, Gabrielle Haugh e Jordan Salloum. Foster é uma sobrevivente a viver o trauma do monstro nunca ter sido detido. Começa bem, mas Salva está fascinado pela veterana e dá-lhe um protagonismo exagerado, chegando a roçar o ridículo. Shaw é outro tipo de sobrevivente. É um caçador. Especializou-se nesta criatura e nas suas manhas e está preparado para um novo confronto contra todas as probabilidades. Smith é o xerife experiente na sua pequena localidade, mas ignorante do mal que enfrenta. Haugh/Sallloum são os jovens em que a história se foca mais. A estonteante Haugh é o alvo do ser alado e Salloum o príncipe que vai lutar para a salvar. O filme começa mais urbano e moderno que o habitual, com a carrinha BEATNGU a ser arrestada pela polícia e um forasteiro a chegar com um exército a dizer que não se podem aproximar daquela prova. Assim que a viatura assombrada exige alguns dos seus extras, voltamos ao modelo convencional do terror desta saga, com o mostro a caçar jovens e velhos até atingir as quotas que lhe permitem hibernar. Tem momentos divertidos, tem momentos assustadores (mau era) e tem momentos surreais e contra o bom senso. Os espaços abertos não são tão propícios a este terror e as tentativas de diferenciar o terceiro capítulo do resto da saga eram necessárias, mas não foram completamente eficazes. Ainda atinge o ponto em várias cenas, mas no seu todo os pontos fracos são demasiados para ser um bom filme.

"Jeepers Creepers III" queria ter um toque vintage, mas é um só estranho anacronismo. É um daqueles série B contemporâneos que parecem vindos do passado. Têm um público muito específico e quando se é ostracizado, não há nada a fazer. Esta terceira toma do tema deixa aberta a possibilidade de sequela (não que isso alguma vez tenha importado desde que descobriram as prequelas), mas sabemos que isso não acontecerá. A era deste monstro terminou.

Deixe um comentário

Certifique-se que coloca as informações (*) requerido onde indicado. Código HTML não é permitido.

Mais Vistos

 

C/ Celso Emilio Ferreiro, 2 - 4°D
36600 Vilagarcía de Arousa
Pontevedra (España)

Redacción: 653.378.415

info@scifiworld.es

Sobre Scifiworld

Copyright © 2005 - 2019 Scifiworld Entertainment - Desarrollo web: Ático I Creativos