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Crítica a "Get Out"

el  quarta, 22 agosto 2018 21:00 Escrito por 

Terror, comédia e crítica social.

Get Out

O ano passado o terror teve um protagonismo quase inédito nos prémios anuais e várias associações como a OFCS. “Get Out” surgiu do nada, como é habitual na Blumhouse, e além de ter feito novos recordes de bilheteira, foi um sucesso com a crítica. Entre outros prémios teve quatro nomeações aos Oscars e venceu o de melhor argumento. O segredo foi pegar numa situação algo normal e dar-lhe umas torções regulares até ficar algo completamente invulgar. Depois de alguns trabalhos para televisão, o actor Jordan Peele conquistou o seu lugar como argumentista para cinema e lançou-se na realização com o pé direito.

“Get Out” conta a história de um jovem negro que vai conhecer a família da namorada branca. Aquilo que quando “Guess Who's Coming to Dinner” estreou em 1967 era uma novidade, hoje em dia é perfeitamente normal na sociedade ocidental e só dá para fazer comédias originais se for hiperbolizado como em “Qu'est-ce qu'on a fait au Bon Dieu?”. No entanto o cinema sempre teve algumas cautelas nas uniões inter-raciais. Um desejo de não ofender as audiências pagantes. E se os brancos não podiam dizer mal dos negros por racismo, nada impede os negros de, neste século de igualdade, se vingarem como deve ser. Se fosse ao contrário, “Get Out” era ofensivo. Provavelmente boicotado e censurado. Mas o que faz não se distingue do que outros filmes de brancos foram fazendo. A diferença é que o herói que desmascara tudo não é o cavaleiro branco, mas um negro. Acabou-se o “o negro é o primeiro a morrer” e o “quem sobrevive é uma rapariga indefesa”. Já desde “Cabin in the Woods” que não se via tal distorção das normas do terror. E tudo isso disfarçado de comédia, de romance, de thriller… o que for mais conveniente para o momento da narrativa. Tem tudo o que se podia pedir a um thriller com inclinações para o terror sem deixar de ser uma sátira inteiramente contemporânea. A habilidade maior de Peele argumentista foi pegar num argumento que se fosse só de uma raça já seria interessante. Diferenças culturais entre meio urbano e rural. Diferenças geracionais. É um trabalho com tudo bem estruturado. Só acrescentou a polémica racial para espicaçar. Geriu tudo como se fosse um filme dos anos 60 ou 70. No final acabou por ser um pouco de tudo isso.

De Peele realizador diz-se quase o mesmo. Com uma aura de familiaridade que puxa os série B de antigamente, ao mesmo tempo que é um filme do pós-11 de Setembro, “Get Out”, como outros títulos no catálogo da Blumhouse, foi o filme certo no momento certo. Aquele início inverte um preconceito e aquele final desconcertante desconstrói outro.

Falta só referir Daniel Kaluuya que se move entre profissionais do cinema sem transparecer que o seu meio é a televisão. Em toda a duração do filme e com o peso do filme nos ombros, consegue ser a estrela até ao seu fim. Esta nomeação até pode ter sido para atingir as quotas, mas é justa e não será de admirar que a carreira deste jovem continue em ascensão.

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