Scifiworld

Crítica a "Down a Dark Hall"

el  quarta, 22 agosto 2018 13:30 Escrito por 

Quarenta anos depois, romance de Lois Duncan chega aos cinemas.

Há algo de fascinante nas histórias passadas em internatos. Pessoas jovens e influenciáveis, uma localização remota e desconhecida que quer ser vista como um lar. Amizades improváveis que se tornam em laços para a vida. Vimos disso em “Picnic in Hanging Rock”, “Dead Poets Society”, “La Mála Educación” e mais recentemente em "Lost and Delirious", Harry Potter e St. Trinian’s. O terror também tentou explorar esse nicho com algum sucesso. Era um dos cenários favoritos de Argento, tornou-se moda com “The Craft”, e durou até aos nossos dias com “The Moth Diaries” e “Vampire Academy”.

“Down a Dark Hall” era um romance gótico de Lois Duncan à espera de ser adaptado. Afinal, a autora de “Killing Mr. Griffin”, “I Know What You Did Last Summer” e “Summer of Fear” é capaz de ser das autoras mais criativas no terror. Também nos deu “Hotel for Dogs”, mas ignoremos isso por uns momentos. Por motivos pessoais desistiu de escrever sobre raparigas em perigo e o final da sua carreira foi mais virado para o público infantil. Mesmo assim em 2014 recebeu o título de Grande Mestre da Mystery Writers of America. Faleceu dois anos depois, mas já tinha deixado a sua marca.

O livro foi bastante adaptado na passagem para filme. Passaram mais de quatro décadas e para não ser um filme de época, seria preciso explicar o retrocesso tecnológico. Uma mansão velha, com falhas eléctricas e zona completamente às escuras é bem mais assustadora do que um filme sobre outra era. Os jovens identificam-se mais se os protagonistas forem parecidos com eles e com muitos problemas. Nesta versão Kit vai ser expulsa da escola e o misterioso Colégio Blackhood dá-lhe uma última oportunidade. Essa instituição tem um grupo muito selecto de alunas e acredita que cada uma delas pode ser fenomenal. Só que todas elas são problemáticas/delinquentes e medicadas. Com o tempo Kit redescobre o seu gosto pela música, Izzy supera-se a matemática, Sierra pinta e Ashley escreve… só Veronica ainda não descobriu o seu talento.

Os amantes do fantástico devem ter ficado radiantes com o elenco. A directora da instituição é Uma Thurman que dispensa apresentações. A protagonista é AnnaSophia Robb que entre Charlie and the Chocolate Factory, Bridge to Terabithia e Race to Witch Mountain, cresceu a fazer cinema fantástico. Ultimamente parecia querer fugir para o mainstream, mas voltou a casa. Entre as secundárias temos Isabelle Fuhrman que saltou para a fame em “Orphan” e apareceu em “The Hunger Games”, e Rosie Day que tem uma enorme carreira, mas nos foi revelada por Paul Heytt com “The Seasoning House” e “Howl”. Nos secundários Fuhrman tem uma cena muito intensa, mas nada mais a destacar. É um filme com uma história individual e Robb tem uma boa performance, muito assente nas expressões faciais com as quais nos transmite as várias emoções da sua personagem. Os últimos vinte minutos são passados nas sombras e a fotografia deixa a desejar. É um pouco estranho que o realizador de “Buried” e o director de fotografia de “The Witch” não saibam trabalhar no escuro, pelo que culpo a projecção. No entanto, já recebi informação que noutras salas se passou o mesmo.

Enquanto é um filme de um colégio interno com uma raparigas em busca de orientações para a vida, é banal. O corredor assombrado do título vai mantendo algum suspense sem desiludir, mas sem dar um passo decisivo. Quem não tiver expectativas pela leitura do material original fica entretido. Quando chega a grande surpresa, mesmo ignorando a pouca visibilidade, há alguma confusão e não causa um grande espanto. A entrada de rompante no terror não funcionou. Tem impacto no momento do visionamento, mas não passa disso. Apesar de ter financiamento catalão, é mais um produto para o público americano do que terror à moda espanhola.

Deixe um comentário

Certifique-se que coloca as informações (*) requerido onde indicado. Código HTML não é permitido.

Mais Vistos

 

C/ Celso Emilio Ferreiro, 2 - 4°D
36600 Vilagarcía de Arousa
Pontevedra (España)

Redacción: 653.378.415

info@scifiworld.es

Sobre Scifiworld

Copyright © 2005 - 2019 Scifiworld Entertainment - Desarrollo web: Ático I Creativos