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Crítica a "First Reformed"

el  segunda, 20 agosto 2018 17:15 Escrito por 

A polémica serve-se quente.

Paul Schrader não segue as regras dos outros cineastas. Isso já tinha sido claro nas mais de duas dezenas de argumentos que escreveu e outro tanto filmes que realizou, mas é sempre mais evidente quando assume ambos os papéis. No projecto mais recente, “First Reformed”, juntou-se a outro artista que também gosta se fugir ao sistema e ao convencional. Ethan Hawke já entrou em alguns blockbusters, isso é inegável. Todavia é mais conhecido pelos papéis independentes em filmes de cineastas como Linklater e Lumet. Era previsível que a união de esforços destes dois ia dar algo polémico.

“First Reformed” toca em temas tabu. Começa pela destruição do nosso ecossistema. Uma das personagens tem um dilema compreensível. Como se pode pensar em ter uma criança, se o mais provável é não termos um planeta habitável em poucas décadas? Michael é convencido pela mulher, Mary, para falar com o padre local. Michael não tem a educação religiosa de Mary, mas a visão pragmática do padre acaba por ser uma boa ajuda e prefere falar com um homem do clero culto a consultar um psicólogo. Entretanto, toda essa conversa sobre família faz o padre Ernst recordar o filho que perdeu na guerra. E o seu superior, reverendo Joel, que o devia guiar, só quer saber da celebração dos 250 anos da igreja First Reformed que Ernst dirige. Essa igreja é basicamente uma atração turística, tem poucos paroquianos, e por isso o evento é patrocinado por uma das várias empresas responsáveis pela destruição do nosso planeta.

O orçamento desta produção foi muito reduzido. É daqueles filmes raros que não precisam de muitos efeitos e se entregam completamente na mão dos protagonistas e na arte de quem controla a câmara para só mostrar o que devemos ver, deixando o resto para a imaginação. O que podia parecer um drama que questionava a Igreja, depressa se torna num filme que filosofa sobre o propósito da nossa existência e o sentido da vida quando as dificuldades aparecem.

Ethan Hawke está soberbo. Nunca teve um filme tão focado em si e não se retrai. Tem uma personagem que provoca sentimentos divergentes. Queremos não gostar dele, mas não conseguimos deixar de nos fascinar. As emoções causadas pelo filme crescem de forma inesperada e é tudo graças a ele. Em segundo plano está Amanda Seyfried, também a ter um ano muito bom. Tem um papel pequeno e perturbador. É a grávida que acredita em Deus e que se espera uma criança, o mundo terá como dar um futuro a essa criança. Pouco fala, mas a sua presença dá o toque de normalidade que a vida eclesiástica precisa. E depois temos Philip Ettinger como Michael, a ter ricas conversas filosóficas. O nome dele nem aparece no cartaz, mas tem momentos em quem rouba o protagonismo.

A trama do filme não é só provocadora, é mesmo polémica. Foi feito para lançar achas para a fogueira. Schrader sabe o que faz do ponto de vista narrativo e cinematográfico e não se incomoda com o politicamente correcto. “First Reformed” não chegará a um público tão alargado como podia – estes filmes nunca chegam – mas deixará uma marca em quem o viu.

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