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Crítica a "Crooked House"

el  domingo, 19 agosto 2018 19:30 Escrito por 

Enquanto todas as atenções se voltaram para “Murder on the Orient Express”, uma outra obra de Agatha Christie chegava às salas três semanas depois com bastante menos pompa.

Crooked House” é daquelas histórias que diz muito à autora, com fortes ligações ao Egipto e tendo lugar num ambiente bastante isolado da sociedade. É protagonizada por Charles Hayward, um ex-espião tornado investigador que tem boas ligações à Scotland Yard. Uma velha amiga chama-o a resolver a morte mais mediática da época, a de Aristide Leonides. A Yard quer resolver o caso, mas não se importa que seja alguém externo para não causar um escândalo ao anunciar que a polícia suspeita de crime. Só que para Hayward este caso não é simples. Sophie foi sua namorada e é uma das herdeiras. Estará apto para separar o coração da razão e tomar toda a família como suspeitos por igual?

Esta adaptação para cinema vem obviamente embalada no mediatismo do blockbuster que é Orient Express. Christie não está esquecida, mas poucas obras além de Poirot e Miss Marple conseguiram sucesso nos formatos além do papel. Esta era a altura de despachar todos os direitos cinematográficos que estivessem pendentes. O elenco reunido foi de luxo. Max Irons e Stefanie Martini podem não bastar para atrair as multidões, mas quando são secundados por Glenn Close, Christina Hendricks, Gillian Anderson e Terence Stamp, já se assemelha a uma grande produção. Na realização está Gilles Paquet-Brenner, um francês acostumado a trabalhar na fronteira entre os dois continentes que utiliza várias estrelas internacionais em produções de cariz europeu. É isso que temos aqui. Uma história britânica. Um realizador francês. Um elenco que inconscientemente sabemos vir de todo o mundo ainda que não transpareça. Uma amálgama de culturas num filme de época.

Concentrar a acção na casa senhorial teria sido mais adequado a obra em questão. As idas frequentes de Hayward a Londres quebram o ambiente de intriga conseguido no seio da família Leonides. As poucas pistas que vão chegando de fora são importantes para fortalecer a personagem, mas empobrecem a narrativa. Quando é revelado o perpetrador, a indiferença ganha e a única sequência com alguma acção parece fora de contexto. Aquelas personagens eram suficientemente incríveis para não precisarem de distracções. Os Leonides vão falando um a um e lançando suspeitas sobre eles mesmos e sobre os outros de forma cruel. Nenhuma personagem ganha destaque, e por isso são todos vultos suspeitos.

Charles é demasiado sensaborão para levar o filme sozinho. Sophia é o tempero com uma performance de Stefanie Martini no ponto. Não demasiado tempo para se evidenciar da família. Não de menos para se tornar irrelevante. Quando estes dois estão juntos a trama adensa-se. Em separado o filme não cativa. Em parte isso é causado pela chama latente só que os flashbacks de Charles e Sophia numa época mais simples também não ajudam em nada o filme. É outra das saídas da mansão que eram desnecessárias.

A substância está lá - na música, nos cenários - mas diluída em demasiados extras na escrita. A adaptação não é completamente fiel ao livro nem suficientemente arriscada para justificar as mudanças. O livro tinha bastantes mais twists e ainda que alguns tivessem perdido o sentido, não podia ter sido tão linear. Sai-se com a sensação de ter sido um bom filme, mas que se esquece depressa.

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