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Crítica a "American Made"

el  domingo, 19 agosto 2018 14:30 Escrito por 

Quando Tom Cruise faz o filme sozinho.

Um dos escândalos mais ignorados da história dos EUA é o Irão-Contras. No segundo mandato de Reagan os EUA estavam a enviar armas clandestinamente para uma série de países de interesse como a Nicarágua e o Irão. Mas a história completa é muito mais vasta e tudo começou com Barry Seal.

Barry era um piloto da TWA que ocasionalmente contrabandeava charutos cubanos. A CIA descobriu e fez-lhe uma proposta. Davam-lhe uma empresa de aviação e em troca Barry ajudava-os com fotografias do que se passava na América Central. Numa dessas viagens o piloto conhece o cartel de Medellín que lhe propõe um novo desafio: transportar droga para os EUA. Afinal, ele é “o gringo que entrega sempre”. Lentamente o negócio paralelo começa a crescer para transporte de armas e pessoas. As Empresas Seal prosperavam protegidas pela guerra ao comunismo.

Tornar tal história de vida num filme podia correr muito bem ou muito mal. Ainda há gente incomodada com a missão original, outras com o desplante de Seal para trair os interesses do seu país, outras por alguém querer dar a conhecer tal erro das relações internacionais. Se alguém ia enganar o governo americano, tinha de ser alguém de quem todos gostassem. Não foi difícil escolher Tom Cruise para este papel com base na carreira. Ele é o piloto mais famoso do cinema. É um agente secreto que humilha a CIA regularmente. Tem um sorriso desarmante que faz com que todos confiem nele. Era o Barry Seal perfeito.

O filme tem um ritmo que propicia o envolvimento. É cronológico, mas usa os vídeos de Barry para nos dar uma visão de contexto. Mostra como os convites vão sendo feitos de forma irrecusável e o trabalho de Barry vai crescendo até ser algo incomportável. Os anos 80 foram uma época conturbada e a realidade dos jogos de bastidores da Guerra Fria ainda está longe de ser revelada. Barry Seal é apenas um entre vários que fizeram fortuna ao abrigo da espionagem. Provavelmente o mais rico e influente da História, mas também apenas um homem com demasiada areia na avioneta.

Doug Liman, que explorou a espionagem com parte da saga Bourne e “Mr. & Mrs. Smith” e que conhece Cruise de "Edge of Tomorrow", deve ter realizado grande parte disto em modo automático. Era uma história verídica, com vários pontos altos e a dose certa de humor. As cenas mais fora de contexto como os nicaraguenses e barões da droga também não são propriamente novas para o cinema americano. Qual a dificuldade? A dificuldade foi pegar num argumento simples do quase estreante Gary Spinelli e dar-lhe a solidez necessária para ser um blockbuster. Tornar um assunto sério numa comédia e uma biografia num filme de acção digno de ficção. Cruise e Domhnall Gleeson lideram um elenco sólido, com Sarah Wright, Caleb Landry Jones e Jayma Mays em papéis secundários. Mas podia ter sido apenas Cruise que funcionaria na mesma. A estrela leva o filme aos ombros até bom porto. É entretenimento bom e alerta que continuam a acontecer jogos de bastidores com impacto em muitas vidas.

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