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Crítica a "The Titan"

el  quarta, 25 julho 2018 15:30 Escrito por 

A ficção-científica não é mais imaginação, é a realidade e está a poucos anos de distância. Temos muitas questões tecnológicas e éticas pela frente neste momento.

A existência é algo instável que pode ser visto como um equilíbrio precário entre forças em conflito. Um planeta tem moléculas em estado líquido, sólido e gasoso que podem criar ou destruir vida. Alguns outros astros como estrelas, satélites naturais e asteroides podem ajudar ou dificultar a criação de vida. Por vezes destruí-la completamente. O próprio planeta brinca à seleção natural com o clima, as erupções, terramotos e demais dificuldades. Uma espécie que aguente determinado número de níveis nesse jogo, acha-se especial. Esquece que está num permanente desafio. Depois chega a um ponto onde não sabe como escapar e lixa-se. O jogo recomeçará com uma nova espécie ou num novo planeta.

No caso dos dinossauros o planeta ganhou. Usou uma arma secreta que ninguém esperava e arrasou o jogador líder, abrindo espaço para novos concorrentes se evidenciarem. Durante anos assim foi, até que chegou a Humanidade e fez batota. Criou abrigos melhores. Produz o seu próprio alimento. Arranjou formas de ser alertada para terramotos. Espalhou-se tanto pela superfície que um vulcão não os consegue derrotar. Até acredita ter formas de parar meteoritos.

Pela perspectiva do planeta, a humanidade não é uma espécie melhor ou mais merecedora que as anteriores. Tal como um vírus, pensa apenas em si e na sua multiplicação, não considerando o mal que faz ao organismo hospedeiro. Até que seja demasiado tarde e tenha de saltar para outro hospedeiro. A humanidade é uma praga. Uma praga criada para destruir o que a rodeia até que todo o planeta seja inabitável. E depois deste, os outros planetas.

O sonho de partir à conquista do espaço é muito antigo. Tal como o sonho de saber o que estava para lá da montanha e para lá do oceano, assim que se soube que existiam outros planetas nas estrelas, nasceu a vontade de os ver, os visitar, os colonizar. Algo típico de um vírus. Mas se qualquer um pode caminhar para lá da montanha e com instrumentos de navegação e barcos se chega ao continente vizinho, chegar às estrelas não é assim tão fácil. Não basta um homem sábio, um hábil construtor, toneladas de madeira e mantimentos e alguns homens com o sonho de uma vida melhor. São precisos milhares de cientistas, milhares de construtores, materiais vindos dos vários continentes, e um conjunto de heróis dispostos a partir numa viagem sem regresso para um local onde qualquer erro os pode matar.

Com o tempo aquela ideia romântica de colonizar os vizinhos Marte e Vénus foi perdendo força. Começamos a racionalizar e agora procuramos luas onde seja mais fácil criar vida. Gravidade, atmosfera, temperatura… não é fácil recriar as condições que fomos geneticamente aperfeiçoados para adorar.

Em “The Titan” o ano é 2048 e já passamos a fase de ser esquisitos com o planeta que colonizamos. A lua Titã é o lugar mais aceitável, só que não estamos preparados para lá viver. A atmosfera é mortífera, a escuridão assustadora, o frio permanente. A Humanidade tem de evoluir ou morrer. O professor Collingwood é um Dr. Moreau dos tempos modernos. Ele quer reunir os melhores espécimes da humanidade e alterá-los para que possam ter uma hipótese de sobrevivência em Titã. O Tenente Rick Janssen é um desses escolhidos. Ele e a família mudam-se para uma base da NATO onde se testa a última oportunidade da Humanidade. Mas seremos ainda humanos?

Rick é o típico militar. Segue ordens e está a trabalhar para o bem comum. A mulher Abi, é médica e quer saber mais do que aquilo que lhe podem dizer. Têm um filho por quem fazem isso e para quem o pai é um herói.

Pode parecer que o protagonista seria Sam Worthington. A estrela de "Avatar" sabe o que é ser o escolhido para uma missão de colonização espacial. Todavia, neste filme tem um papel menor. A perspectiva que acompanhamos é a de Abi (Taylor Schilling), a humana terrestre com olhar científico que vê milénios de evolução a serem acelerados à sua frente. Com tantos filmes sobre mutantes no nosso quotidiano, é curioso ter uma visão pura do que isso poderia significar. E dos sacrifícios que destruir este planeta acarreta.

Com uma história simples e linear, “The Titan” recria alguns dos dramas da vida no espaço, em especial o isolamento. Mesmo que isso seja um trabalho com horário e local específico e depois voltem para casa, aquele grupo de soldados tem algo que é só seu e que não podem deixar para trás quando saem das instalações militares. Podem ainda estar na Terra, mas os seus corpos e mentes já estão a caminho de Titã numa lenta transformação física e mental. O filme vai desenrolando a história e mantendo a intriga sem artimanhas. Tudo é o que parece e todos são o que dizem ser. A diferença é o que estão dispostos a fazer nos momentos críticos. Em suma, é um filme sobre a humanidade e as linhas invisíveis que atravessamos como espécie e como indivíduos nos momentos decisivos.

Tecnicamente é um filme competente e tem um argumento equilibrado, apenas com algumas falhas no terceiro acto (ou maltratado na edição). Foi a primeira longa do realizador Lennart Ruff e também o argumentista Max Hurwitz está mais confortável no formato televisivo, o que se percebe pela estrutura. Faltou um pouco de química entre os protagonistas e em especial entre os militares, mas se pensarmos que o objectivo do filme não era entreter e sim alertar para o ponto de viragem que enfrentamos, está cumprido. Consegue prender-nos à história e ser minimamente convincente do ponto de vista científico. É suficientemente inspirador para não recearmos o momento em que os nossos filhos tenham de deixar a Terra e partir para um outro mundo. A espécie prevalecerá por muito que o mundo nos tente eliminar. A questão é se ainda seremos humanos por dentro.

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