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Crítica a "Isle of Dogs"

el  quarta, 23 maio 2018 11:00 Escrito por 

Os cães que perderam uma batalha, mas conquistaram os nossos corações.

Wes Anderson é um daqueles realizadores de reacções polares. Ou se adora ou se detesta. Depois daquela sequência com “Fantastic Mr. Fox”, “Moonrise Kingdom” e “The Grand Budapest Hotel” a opinião generalizada era que seria um dos maiores realizadores da nossa era e por isso, desafiador, voltou à animação e com um toque tão pessoal que alhearia a maioria do público. Claro que isso só é revelado no filme, pelo que o bilhete está vendido e o espectador tem de se adaptar a ver um filme em japonês. Sim, “Isle of Dogs” é falado em japonês pela maioria das personagens humanas e o inglês só é usado pelos cães. Outro detalhe pessoal é que volta a ser uma história sobre animais e sobre crianças, ignorando o mundo sério dos adultos como vem sendo a sua imagem de marca. Portanto, um filme de animação, sobre animais e crianças, falado em japonês. Só falta dizer que por enquanto é dos melhores filmes do ano. Numa época em que estreiam blockbusters interessados em dinheiro, a oportunidade de ver filmes de autor com uma mensagem é reduzida e este “Isle of Dogs” merece muita atenção.

A epopeia começou há muitos séculos. Uma batalha entre cães e gatos que dizimou milhares. No fim os cães parecem ter ganho com um aliado inesperado, mas os gatos continuaram a existir e a manipular os fracos humanos nos bastidores. Quando uma misteriosa gripe canina surge, o presidente da câmara decreta o exílio de todos os cães sem excepção para uma ilha próxima que servia de lixeira. Condenados à morte mente numa ilha inóspita, os cães adaptam-se e regridem para matilhas, numa derradeira tentativa de prolongar a sobrevivência combatendo pelos recursos. Até que um avião se despenha na ilha e os poucos cães ainda mentalmente capazes recordam qual é afinal o seu dever. Unidos numa missão suicida, não sabem que têm nas mãos o futuro da espécie canina.

Com um elenco surpreendentemente capaz que inclui Bryan Cranston, Greta Gerwig, Bill Murray, Jeff Goldblum, Bob Balaban, France McDormand, Scarlett Johansson, Harvey Keitel, Liev Schreiber, Tilda Swinton, Ken Watanabe, Yoko Ono e F. Murray Abraham, somos transportados para outro país, para uma era semelhante à nossa, com os mesmos receios infundados, a mesma histeria de massas, o mesmo ódio pelo que é diferente. E é pelos olhos de uns cães corajosos e de duas crianças destemidas que nos vamos rir dos disparates da sociedade em que vivemos.

Anderson volta a conseguir. Faz uma das maiores odes cinematográficas ao melhor amigo do homem que é capaz de levar o mais empedernido coração às lágrimas sem comprometer a narrativa e a mensagem. Cria uma história intemporal e mágica que nos alerta para o que enfrentamos no dia-a-dia. Leva-nos para um outro mundo recordando-nos do melhor deste. Pode não ser um filme ideal para crianças – hoje em dia as animações são cada vez mais para adultos – mas é um filme que nos recorda a infância e simultaneamente nos faz amadurecer. Para ver e rever muitas vezes em ecrãs de todos os tamanhos.

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