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Crítica a "El Bar"

el  domingo, 17 setembro 2017 15:30 Escrito por 

uma fórmula já vista.

Os filmes de Alex de la Iglesia são sempre um chamariz para os amantes do fantástico. Passaram mais de vinte anos desde que nos convenceu com "El Día de la Bestia" e desde então a sua variedade de estilos e temáticas foi tal que chegou a presidir à Academia Espanhola de Cinema, algo impensável para alguém vindo do fantástico. Desde que saiu da Academia tem-se dedicado mais a tempo inteiro ao cinema e quase todos os anos nos traz um filme. Por sorte agora são todos de género.

Em “El Bar” podemos esquecer a capacidade diferenciadora vista em "Las Brujas de Zugarramurdi". É uma obra mais convencional que explora o tema do confinamento perante uma ameaça desconhecida. Um grupo heterogéneo de desconhecidos está num bar com as entradas e saídas que se esperaria de qualquer estabelecimento comercial no centro de Madrid em hora de ponta. Subitamente, um dos clientes que saiu, cai no chão. Foi baleado mortalmente. As ruas ficam desertas e cabe aos clientes restantes, decidirem se tentam sair ou se esperam para saber o que se passa. Qual das opções mais arriscada?

Escapando ao terror convencional, é como que uma tentativa do realizador de "La Chispa de la Vida" (sim, isso também é de Iglesia) fazer algo na onda de "[REC]". Só que o eficaz terror que vimos há uma década é trocado por algum suspense e a aposta no "monstro que não se vê" é rapidamente trocada por uma no "monstro dentro de cada um de nós". O ritmo inicial foi muito bem planeado e é com um plano-sequência que somos apresentados às personagens, indivíduos aleatórios nas ruas da capital espanhola. No bar são escutadas conversas que permitem definir as personalidades e escolher quem se vai apoiar a luta pela sobrevivência. Depois há um tiro a dar o mote para um turbilhão emocional e descontrolo, começam conflitos verbais que logo passam a físicos e, quando era suposto vermos algo melhor, o filme entra no que já foi visto vezes sem conta. Bem realizado, capaz de transmitir emoções e sensações, mas sem conseguir construir uma ponte com o espectador ou empatia por estas vítimas do acaso.

É um filme demasiado espanhol para o público internacional. Os actores interpretam estereótipos a quem era suposto darem profundidade, mas alguns deles são estereótipos que não se enquadram em todas as culturas e que precisariam de mais algum enquadramento para funcionar. Assim o conflito que podia ser bem perceptível não é tão justificado e isso quebra o ritmo de quem assiste. Os momentos finais são muito previsíveis e apenas existem porque era preciso uma conclusão. Comparando com o início, dizer que é uma desilusão será um eufemismo.

Estando o cinema espanhol a apostar muito bem no thriller como alternativa ao quase saturado fantástico, e tendo também nessa categoria algumas produções que se assemelham aos blockbusters internacionais (vejam-se os casos recentes de “El Desconocido” ou “Que Dios Nos Perdone”), é estranho surgir agora um filme que falha em ser internacional e falha em ser thriller. Fomos acostumados a esperar mais.

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