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Crítica a "Rasen"

el  domingo, 01 julho 2012 00:00 Escrito por 

Imaginem uma espiral, uma que nunca mais acaba, num movimento continuo. Eterna. Passado algum tempo chegamos à conclusão que nada vai mudar. É sempre o mesmo nada. Pronto. “Rasen” é isto, quase sem variação que justifique o facto de ser a sequela de “Ringu”, o filme que arrepiou pessoas por esse mundo fora e as fez ter medo de raparigas com cabelos compridos de cor azeviche, sobretudo se, se chamarem Sadako.


Umas horas após a morte de Ryuji Takayama (Hiroyuki Sanada), o Dr. Ando (Koichi Sato) é chamado a fazer a sua autópsia. O morto é um velho colega de faculdade. Aquela morte, ocorrida em circunstâncias suspeitas leva-o a interrogar a namorada deste, Mai Takano (Miki Nakatani), que parece delirante. Diz a rapariga, fantasiosa, que Ryuji terá morrido após ver uma cassete que estaria amaldiçoada. Ando, um médico legista, desvaloriza o relato ele aposta numa hipótese bem mais plausível, um vírus! Mas começa a experienciar acontecimentos estranhos, logo após tomar contacto com Ryuji e receber uma cassete de um jornalista colega de Reiko Asakawa (Nanako Matsushima). O médico sofre de uma grave depressão, acompanhada de várias tentativas falhadas de suicídio, após a morte do filho. Ele não acredita no poder da cassete amaldiçoada. E no entanto… Será a “maldição de Sadako” a oportunidade por que esperava?
Assim, de rompante a sinopse grita por interesse, drama, terror mas… não. Lembram-se da espiral de nada de que vos falei inicialmente? Em “Rasen” quase.nada.acontece. E, quando algo sucede, é lento e anti climático. Joji Iida afirmou na altura que não estava interessado em fazer um filme de terror. Tão simplesmente, a antítese do filme de Hideo Nakata, que ficou para história. Uma mescla aborrecida, incongruente, com uma cinematografia banal e personagens com que é muito difícil simpatizar. “Rasen” parece ter no mínimo umas três horas de duração tal o efeito anestesiante! Desconsolador, pois a estória, baseada no livro de Koji Suzuki, tinha potencial. E se Sadako pudesse fazer estragos a uma grande escala? E se uns quantos iluminados pudessem deter tal ameaça? Mais! E se estes, que possuem tão importante conhecimento e o ignorassem…

A grande curiosidade deste “Rasen” é a personalidade de Sadako. Embora não a vejamos em todo o seu esplendor malévolo, vemo-la em outro tipo de poses. Digamos que, enquanto “Ringu” se centrava todo ele, na psique de Sadako, “Rasen” aposta na sua vagina. Com todas as implicações de volúpia e cópula, que isso implica. Se Ringu se situa no mundo espiritual, “Rasen” é todo ele, físico. Na verdade não há muito a que “Rasen” se possa agarrar como tábua de salvação: quem quer saber de contemplações filosóficas de um Ando de quem ninguém quer saber? Acaba por fazer mais sentido a relação fetichista de Ando com os instrumentos cirúrgicos, as provetas, a cassete, um bloco ou o corpo (des)humano… Ainda que, paradoxalmente, a acção seja extremamente limitada. Aparte a aparição de Hiroyuki Sanada pouco há de notável em “Rasen”. É como um mau filme feito para televisão. E esta “sequela” foi filmada concomitantemente como “Ringu”. Não lhes teria feito mal nenhum visitar o cenário do outro filme, para umas dicas. “Rasen” abandonou tudo o que tornou “Ringu” tão especial.  Afinal, sempre é a sequela perdida por algum motivo. A explicação certamente que não é por todos os que a viram terem morrido sete dias depois…  Venha daí “Sadako 3D” que pior é difícil.


Realização:  Joji Iida
Argumento:  Joji Iida e Kôji Suzuki
Koichi Sato como Mitsuo Ando
Miki Nakatani como Mai Takano
Hinako Saeki como Sadako Yamamura
Hiroyuki Sanada como Ryuji Takayama

 

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