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Crítica a "Furious 7"

el  quinta, 02 abril 2015 07:00 Escrito por 

Uma última corrida, mas não um último filme

A história da saga Fast & Furious é longa. Este sétimo capítulo teve uma lomba, mas não foi por isso que se desviaram do destino. As grandes diferenças são que: 1) finalmente um capítulo tem lugar depois do Tokyo Drift, aquele maldito filme que ninguém conseguia encaixar na saga por ser posterior a todos; 2) Justin Lin cedeu o lugar de realizador ao grande James Wan, ainda que não haja diferenças de maior; 3) foi o último filme de Paul Walker por motivos que todos conhecem; e 4) é o filme mais longo da saga, será aquele com mais efeitos especiais e em alguns países será exibido em 3D. Ignorando tudo isso, é um filme repleto de carros, miúdas e balas como todos os outros, mas também explosões, vinganças e ainda mais organizações secretas do que antes.

Entre tudo o que foi referido, o mais surpreendente é que tem lugar depois do terceiro capítulo. Os acontecimentos de Tokyo, que tinham sido ignorados por todos como se não tivessem acontecido, finalmente fazem sentido e dão o mote para o que se vai passar aqui. Se não acompanham a saga e não querem ver tudo, espreitar os 5, 6 e 3 por ordem será suficiente. Se não querem ver, basta saberem que o gang vai ser perseguido por alguém muito mau.

 

A mudança de realizador deixou-nos com expectativas elevadas. Um dos grandes nomes do terror ia explorar o ramo da acção. O que nos deu foi um filme competente, com tudo aquilo a que a saga nos acostumou. Tem carros de luxo raríssimos, monstros com rodas feitos de propósito, tem exércitos e forças especiais, tem peripécias acrobáticas com e sem carro, combates corpo a corpo, com armas de fogo, com barras de metal, helicópteros e tudo o que estiver à mão. É um excelente filme do seu género, mas não cativará noutros públicos. Quanto aos actores, Michelle Rodriguez parecia mais desorientada da realidade do que a personagem pedia, Jason Statham como vilão de serviço não parecia boa escolha, mas não se saiu mal, Tony Jaa terá impressionado quem não o conhecia ou não reconheceu no seu primeiro papel em inglês. Kurt Russell ainda tem estilo para dar e vender. Os outros, estão como sempre.

A nível narrativo há várias falhas. Mesmo sem considerar de um ponto de vista de informático (se vão falar de hackers podiam ter falado com alguém que dissesse o que era correcto fazer em vez de assumirem que ninguém percebe) metade das situações que dão jeito são inverosímeis. Passam despercebidas entre tantas explosões, mas quem parar para pensar até deve corar de vergonha e é uma atrás da outra. Quem for apenas pela componente visual e sonora de certeza que vai delirar pois é um espectáculo pirómano e destrutivo sem igual nos filmes de carros.

Finalmente, a perda de Walker foi incrivelmente bem disfarçada. Recorrendo às imagens de arquivo e aos irmãos do falecido, conseguiram dar à personagem uma vida que transcendeu o actor. O filme no seu todo conseguiu rondar o tema, sem nunca o aproveitar descaradamente a não ser no final onde era óbvio. Provavelmente conseguiam parar por aqui. Deixavam a saga desvanecer enquanto está em grande e viveriam dos louros por muitos anos. Mas já confirmaram um oitavo filme (NY pelo que parece) e estão prontos para meter o prego a fundo em mais duas horas de acção frenética e adrenalina. Até este conseguiram sempre escapar incólumes (e desde o terceiro até agora sempre a facturar valores maiores) pelo que mais um pode até funcionar. A questão é se sem Walker a saga será a mesma. Afinal, foi com ele que entramos neste mundo dos corredores rápidos e furiosos.

 

Filme visto em IMAX a convite da NOS/MarShopping.

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