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Crítica a "Killing Ground"

el  Monday, 16 October 2017 14:00 Written by 

Fazer campismo em território de caça.

Quem caminha regularmente na floresta, decerto já ficou preocupado ao deparar-se com a típica sinalização de zona de caça. Não é muito saudável andar nas zonas onde balas voam em busca de um alvo. Por isso existe uma legislação que especifica o que pode ou não ser feito e onde pode ser praticado o tiro. Neste filme sugestivamente chamado zona de caça, um casal que pretendia apenas acampar junto ao lago numa noite mágica, acaba por ir ter ao pior sítio para se estar: a zona de caça de uma dupla de psicopatas. Intrigados pela tenda abandonada junto ao seu poisio, ficam alerta para esses vizinhos que demoram a chegar.

Com uma narrativa dividida em duas partes que se vão alternando, ficamos a saber a história dos campistas anteriores e as dificuldades por que passaram. Isso resulta num primeiro acto invulgarmente longo, pois as partes menos animadas de ambas as histórias ficam seguidas. É onde nos apresentam as várias personagens e percebemos quem apoiamos e quem pode morrer. O segundo acto continua a brincar com a ignorância do que se terá passado antes e vai construindo tensão. O terceiro acto despeja tudo numa conclusão violenta, sangrenta e muito mais mexida do que todo o filme anterior. Como se “Eden Lake” tivesse sedimentado e depois de uma grande parte insípida, chega um fundinho com toda a violência que faltou antes. Pelo meio faltam personagens interessantes, ainda que sejam moralmente ambíguas e tanto os bons como os maus surpreendem nas decisões tomadas perante as dificuldades. Por um lado são pessoas com falhas credíveis, humanas, mas por outro há demasiadas opções erradas na história. Um bom trabalho dos actores, nenhum a destacar, mas nenhum a desiludir.

“Killing Ground” não é inovador. É bastante transgressor, mas não consegue ir além do que “Wolf Creek” nos deu sobre psicopatas australianos. Quem for espectador regular de survival horror até pode ficar em choque com algumas coisas, mas quem estiver vacinado em terror de outros géneros não se deixará afectar por esse degrau extra de violência. Já vimos pior (refiro-me às crueldades) e já vimos melhores filmes, com melhores ideias e menos decisões erradas no argumento. Confirmam que a Austrália é o lar das espécies mais mortíferas do planeta, inclusivamente entre os exemplares da espécie humana, mas, como referido no parágrafo acima, os seus alvos são personagens que não se esforçam em sobreviver e a eliminação será parte da evolução da raça. Na realização e fotografia também não há nada a apontar. Temos uns planos que aproveitam bem a floresta e os movimentos de câmara dão um toque familiar a found footage que fica bem neste género.

O visionamento poderá alertar para algumas coisas que se tomam como certas quando não o são e certamente fará muita gente reconsiderar os planos de ir acampar, mas ainda que as ideias perdurem, o filme no seu todo é rapidamente esquecido. Entre os vários filmes australianos de terror vistos neste semestre – e preparem-se pois vem aí uma onda - foi claramente o mais fraco a aparecer.

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