Scifiworld

Crítica a "A Floresta das Almas Perdidas"

el  Wednesday, 11 October 2017 08:30 Written by 

É já amanhã.

Esta semana chega às salas nacionais um filme português de terror. Apontado pela Newsweek como um dos 22 títulos fundamentais do ano para os amantes de terror e normalmente descrito como um thriller artístico, a melhor forma de falar desta primeira longa de José Pedro Lopes é com muito cuidado. Se na sua curta “Survivalismo”, o maior erro foi dar demasiada informação, aqui houve o cuidado de não dizer rigorosamente nada a mais. Apenas que se baseia na floresta de Aokighara, o mais popular destino de suicídios no Japão, mas tendo lugar no norte de Portugal. Nesta história um homem e uma jovem encontram-se por acaso quando se mentalizam para cometerem suicídio. Os seus motivos são diferentes. Ele desistiu devido ao passado. Ela desistiu de acreditar num futuro melhor. Juntos talvez reconsiderem, ou encontrem a força necessária para darem esse passo irreversível.

Não é a primeira vez que o cinema feito a norte escolhe o tema dos suicídios para brincar. Em “Suicídio Encomendado” uma empresa assistia quem queria por termo à vida e o destino teimava em impedir a concretização. Aqui é diferente. Ambos chegam mais ou menos preparados para o acto e não precisam de ajuda. Só querem reflectir antes de fazerem algo do que se possam arrepender. Partilham esses últimos momentos e vão trocando perspectivas da vida. Ou melhor, vão soltando ideias que pairam incompreendidas devido à diferença de idade. São pessoas diferentes e não se compreendem. Claro que no filme há muito mais do que uma conversa, mas não se pode falar demasiado sem estragar.

Pode ser uma primeira longa, mas é um filme feito como as curtas. Aliás, no elenco estão caras conhecidas e nos cenários há um piscar de olhos para quem vê as curtas do Anexo 82. Nota-se um cuidado extra com a fotografia e a edição de som, e apesar da importância do silêncio, a banda sonora tem um tema principal a fazer recordar Claudio Simonetti e há uma cena que deixará os conhecedores de Godard com um sorriso.

Os diálogos são o ponto forte do argumento. Especialmente quando o filme atinge o seu melhor momento, confundindo os espectadores sobre se será um thiller ou uma comédia. No geral é um filme bem feito, que podia ter alguns planos alterados e algum cuidado extra nos diálogos devido à sua importância. Mas quando começa a segunda parte da narrativa, nada disso interessa pois as regras são alteradas Não podendo ser revelado nada mais, apenas se pode dizer que é dada uma nova dimensão ao filme e aí o arthouse combina com o terror e a escolha do preto e branco fica justificada.

Quando termina dá a sensação de ser curto (porque o é) e que podia ter sido mais elaborado nas primeiras duas histórias. Talvez com uma aura mais onírica e um aprofundamento do debate filosófico que, de tão bom que podia ser, desaponta por não ser melhor explorado. Com a originalidade da ideia e uma maior aposta no desenvolvimento das personagens, podia ter sido muito bom. É daqueles casos em que o filme não atinge todo o potencial, mas percebe-se porque a imprensa gostou e não seria de estranhar se um produtor quisesse explorar estes diamantes em bruto (filme ou realizador).

É uma obra para fazer pensar e que certamente levará muita gente a ver os festivais de verão e os passeios junto ao lago com outros olhos. E, esperemos, a evitar os suicídios, pois está visto que nunca acabam bem.

Leave a comment

Make sure you enter the (*) required information where indicated. HTML code is not allowed.

Mais Vistos

 

C/ Celso Emilio Ferreiro, 2 - 4°D
36600 Vilagarcía de Arousa
Pontevedra (España)

Redacción: 653.378.415

info@scifiworld.es

Copyright © 2005 - 2022 Scifiworld Entertainment - Desarrollo web: Ático I Creativos