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Crítica a "Boys in the Trees"

el  Monday, 09 October 2017 08:30 Written by 

A noite em que os espíritos malinos vagueiam no mundo dos vivos.

Há uma noite mágica para todos os amantes de terror. O Halloween, quando os vivos se disfarçam de mortos, os mortos regressam ao mundo dos vivos e todos se divertem a pensar no horror. Nicholas Verso, sabendo da saturação do mercado com essa temática, e com a agravante de estrearem todos na mesma altura, fez de “Boys in the Trees” um produto diferente. Tem emoções fortes, mortes, desaparecimentos, brincadeiras juvenis e lojas de conveniência.

A história acompanha um grupo de skaters. São australianos e o Halloween assinala também o fim das aulas. Estão no parque a fazer manobras enquanto Corey fotografa. Jonah passa onde não devia é acossado pelo grupo. Depois o grupo vai para casa de Corey lanchar e é quando se começa a ver diferenças. Corey pensa no futuro e numa universidade americana, mas Jango, o líder do grupo, não quer que nenhum membro do seu bando se afaste. Romany trabalha e também quer emigrar. E Jonah apesar da diminuta estatura é bastante sensato, mas nesta noite quer libertar o seu lado infantil e festejar o fim das aulas com um jogo de infância. Estas várias vidas vão-se cruzar e eles vão interferir nas decisões uns dos outros, numa noite onde vale tudo e o mal está à solta.

O grande trunfo do filme é começar com o ar inócuo de uma qualquer antologia dedicada ao Halloween. Lentamente usa a noite onde a fronteira para o mundo sobrenatural se esvanece, para metaforizar sobre a transição não tão suave para a idade adulta. Fala sobre os objectivos de vida, sobre as amizades que ficam esquecidas no tempo, sobre a tomada de decisões inocentes no presente que marcam o futuro de forma indelével. Tem terror. Aliás, tem momentos bem intensos de terror em vários estilos. E com os toques de infantilidade que Jonah traz consigo, esse terror é suavizado por alguns momentos descontraídos. A vantagem de ser uma história de adolescentes pré-redes sociais (passa-se no final dos anos 90) é que aqui não há telemóveis inteligentes no bolso, por isso cada fotografia tem significado, uma pessoa pode ficar incontactável, só tem lanterna quem pensou nisso ao sair de casa. Não é fácil voltar a essa época sem ser forçado, mas Verso conseguiu e deu-nos um filme perigosamente equilibrado entre muitos pares mundos opostos. Para isso foi muito ajudado pelo seu jovem elenco onde a grande interpretação de Gulliver McGrath ao lado de Toby Wallace, que já tinha trabalhado com Verso, nos facilita a entrada no mundo mágico. Também de destacar Mitzi Ruhlmann que, com a sua participação em "Killing Ground", parece estar a preparar uma carreira no terror.

No fim fica a sensação de ter sido um filme com uma aproximação algo ligeira a problemas reais, mas a narrativa consegue fechar o ciclo começado. Os demónios que existem são enfrentados. Todas as acções têm as suas consequências. A porta para outro mundo é fechada. A vida continua e tudo o que ficou pra trás não pode ser corrigido nem esquecido. Podem ter ficado algumas pontas soltas, mas são para análise posterior e para cada um tirar as suas ilações.

Foi uma relaxante variação num ano em que o terror australiano se pareceu focar em raptos.

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