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Crítica a "King Cohen"

el  Monday, 09 October 2017 08:00 Written by 

Um visionário que já nos deu muito.

O mundo do cinema tem muitas celebridades e muitas histórias para contar, mas quando se trata de lendas, poucas se comparam à de Larry Cohen, um homem incapaz de cumprir regras que sempre teve como único objectivo na vida fazer filmes. Custasse o que custasse. Cohen é um nome incontornável da sétima arte, foi o percursor de várias tendências e ainda assim, consegue atravessar uma convenção sem ser retido para selfies e autógrafos por não o reconhecerem. O mais curioso é que de todos os convidados dessas convenções, deve ser aquele o único que vive apenas do cinema, não vendendo a imagem pessoal ou produtos derivados. Apenas Cinema.

No mais recente documentário de Steve Mitchell, argumentista de séries infantis e autor de vários making ofs, vamos conhecer um pouco mais do homem e do mito. O que surpreende é o elenco de realizadores, artífices e actores que falam dele. Começando com J. J. Abrams, segue com Martin Scorsese, Rick Baker, Joe Dante, Mick Garris, John Landis, Traci Lords, e os seus actores de eleição, Fred Williamson e Michael Moriarty. Todos vão contando histórias passadas com Cohen ou de que forma essa estranha influência moldou a sua visão do cinema. Peças que se foram encaixando, feitas dos momentos em que se foram cruzando de formas inusuais com esta personagem que tão depressa organizava o funeral de Bernard Herrmann, como causava o caos no aeroporto ou cortava o trânsito em Nova Iorque com disparos. Algo impossível nos dias de hoje e impensável na época.

Com uma sequência cronológica, vamos conhecendo lentamente o que foi feito por Cohen, um jovem que falhou no stand up e procurou públicos maiores, tendo-se tornado num dos mais completos argumentistas, realizadores e produtores que já se viu. Numa era em que despontavam estúdios independentes e uma geração de ouro tomava as rédeas de Hollywood, Cohen desafiava as regras que os outros evitavam cumprir. Com ele nasceu o cinema de guerrilha e o conceito de filmar sem autorizações, sem segundos takes, sem duplos. Deu ao mundo filmes como “The Stuff”, “Maniac Cop”, “It’s Alive”, “Q - The Winged Serpent” e muitos outros, tendo sempre uma afinidade com o terror. Foi também o grande impulsionador da Blaxploitation nos anos 70 e era capaz de fazer dois filmes em simultâneo, ou de escrever um guião completo num só dia. Essa flexibilidade e loucura fizeram com que não fosse capaz de se manter ao comando de nenhuma série por muito tempo, mas no cinema era imparável e levava cada projecto até ao fim, desse por onde desse. Chegando à última década vemos que o seu retiro não significa reforma e continua a vender argumentos para grandes filmes, ano após anos. Obras que desafiam as normas e querem deixar uma marca.

O filme tem como grande trunfo o material em que se baseou. A edição e as perguntas só num momento (Cohen/Williamson) dão valor, mas Cohen fica reconfirmado como um nome incontornável da sétima arte e este documentário, ainda que saiba a pouco pela sua simplicidade, abre o apetite para conhecer melhor tal vida e obra.

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