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Crítica a "Die Hölle"/"Cold Hell"

el  Sunday, 17 September 2017 16:00 Written by 

O vencedor do Mélies d'Argent no MOTELX 2017.

A igualdade é uma obrigação. Um filme onde os muçulmanos sejam os vilões, os drogados e criminosos um ameaça à sociedade, ou as mulheres umas donzelas em perigo, será criticado por isso. Por usar estereótipos que anos antes eram comuns. Para corrigir isso estamos a entrar no extremo oposto e “Die Hölle”/“Cold Hell” é a prova.

Aqui uma das personagens é muçulmana não praticante, tem um passado de consumo de substâncias, um comportamento agressivo e violento. Conduz um táxi, convivendo com a escória da sociedade e com os piores hábitos da suposta elite. É ela a nossa heroína. As vítimas são também mulheres muçulmanas, mortas e mutiladas por um assassino implacável e internacional. Os destinos destes dois cruzam-se quando Özge (Violetta Schurawlow,) testemunha pela janela parte de um desses hediondos crimes. Özge bem que chama a polícia como boa cidadã, mas o simples facto de ser imigrante e com um passado de criminalidade, fazem dela um risco. Em vez de a colocarem na protecção de testemunhas, querem simplesmente dar-lhe um curso de defesa pessoal. Özge não precisa de ajuda nessa área. Sabe-se defender muito bem sozinha. Só que este assassino é mais perigoso do que os bêbedos que a costumam incomodar. Terá de usar a sua inteligência e astúcia para sobreviver e, talvez, levar o culpado à justiça.

Stefan Ruzowitzky tem um Oscar (com “The Counterfeiters” venceu Melhor Filme em Língua Não-Inglesa em 2008) e sabe como manipular audiências de forma a ser premiado. Neste filme pega em tudo o que é tema actual, combina com as referências certas, dá-lhe uns toques de blockbuster e eis uma obra-prima instantânea. É óbvio que não resistirá ao teste do tempo de tão exagerado que é este esforço em ser contemporâneo, mas para os próximos cinco anos, quando fará o grosso das suas vendas, tem tudo o que precisa.

O começo, quando conhecemos Özge, faz lembrar um óbvio “Taxi Driver”. A imagem de uma pessoa solitária na metrópole cinzenta (Viena), por entre lojas sem alma e pessoas sem tempo leva-nos para um imaginário entre o cinema noir e o cyberpunk sem ser nenhum deles. Aos poucos vamos conhecendo a sua família e amizades, dando um lado humano à personagem que ajuda a perceber porque se afasta de todos e que, por trás da fachada de durona, é uma mulher sensível. Esse é o ingrediente “drama social” do filme que é complementado com crianças, animais, velhos senis e até um passado sombrio de forma a atingir todos os públicos. E subitamente começa a acção, entre o policial e a boa velha porrada, com uma corrida contra o tempo para apanhar um fantasma. É quando chegam os elementos de blockbuster. Como disse Ruzowitzky no Q&A, “No casal é sempre a mulher a escolher o filme por isso tem de ter uma personagem feminina forte. Para o homem basta ter carros e explosões que vai atrás”. Isso é cumprido à risca e temos uma história que agradará a todos os públicos, fará muita gente sentir empatia, transmite imensas mensagens sociais e prova que um filme não tem de se limitar a um tema. Desde que os saiba combinar e não seja uma manta de retalhos.

Com componentes técnica e artística de nível profissional e um argumento que tem apenas uma “liberdade criativa” (para não dizer esquecimento), prova que em todos os países se conseguem fazer filmes mediáticos. Os prémios de interpretação para Schurawlow demonstram que faltam personagens femininas em condições, pois o seu papel é exigente, mas não é extraordinário. Cumpriu uma difícil tarefa de transfiguração e tem várias camadas tanto do ponto de vista físico como psicológico - além de levar o filme aos ombros sozinha - mas precisa de fazer mais antes de se poder dizer se é uma grande actriz ou se foi apenas a sorte de ter um papel à medida.

É um bom filme para ver. Não é uma das melhores obras do ano.

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