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Crítica a "The Void"

el  Wednesday, 06 September 2017 21:00 Written by 

uma homenagem a tantas coisas boas de outra era.

O nome Astron-6 deve fazer soar alguns alarmes na memória de quem acompanha o cinema fantástico. Em 2011 Steven Kostanski trouxe-nos o indescritível “Manborg” onde o herói meio-homem, meio-máquina enfrentava um exército de vampiros nazis, com mensagem e visual à anos 80. Talvez baste dizer que se associaram à lendária Troma para perceberem o estilo cinematográfico em questão. O filme seguinte – "Father’s Day” - já tinha cinco realizadores (Brooks, Gillespie, Kennedy, Kostanski, Sweeney) e continuava a ser mais uma homenagem ao grindhouse do que algo inovador. No terceiro, “The Editor”, a qualidade voltou a subir, os realizadores diminuíram para dois (Brooks e Kennedy) e a homenagem era ao giallo. Este quarto filme saiu das mãos de Gillespie e Kostanski e ainda que o selo Astron-6 não seja tão visível, continua a ser uma homenagem aos clássicos do fantástico.

A narrativa de "The Void" começa numa casa isolada onde uma mulher é morta de forma brutal. Um homem escapa em muito mau estado e consegue chegar até um xerife desocupado que o leva para o hospital mais próximo. Só que esse hospital foi fustigado por um incêndio recentemente e está quase fechado, só com um médico, duas enfermeiras, uma estagiária e nem meia dúzia de utentes. O que parecia um violento caso de agressão, revela ser bem pior quando começam a surgir mais pessoas no hospital. Em especial as dezenas de encapuzados que aguardam algo. Algo de terrível se passa naquela terra e, como habitual nestes filmes, não há forma de comunicar com o exterior e toda a ajuda que poderiam esperar já se encontra presente. O xerife terá de aguentar o forte ao longo de uma noite interminável e com ameaças persistentes, tanto no exterior como no interior.

No que diz respeito a referências, Barker e Carpenter saltam à memória, com um toque de Fulci para fechar. A brincadeira com temas demoníacos lovecraftianos é trabalhada ao mínimo detalhe e a tensão vai sendo construída aos poucos, com algumas cenas despropositadas (ou francamente más) pelo meio e diálogos nem sempre perfeitos, mas que se vão aguentando de forma aceitável quase até ao final. O visual e a sensação de pesadelo estão bem construídas, os monstros aidna melhor, tudo devido a uma produção mais do que competente e que tinha as referências certas. Contudo o fenómeno de culto não está bem explicado e tem um detalhe (que não pode ser revelado devido a spoilers) que não faz sentido. Juntando a isso aquelas horríveis personagens em mono-expressão que na sua maioria não criam empatia, o filme acaba por desiludir quando tinha muito potencial para se destacar num nicho que tem sido ignorado pelo horror mainstream e que subsiste de pequenas produções como esta.

Ainda que "The Void" não chegue às máximas expectativas de quem respira terror, poderá ser suficiente para uma noite televisiva com o grupo de amigos. E é bom ver que artistas como Gillispie e Kostanski continuam a trabalhar em prol do cinema como arte e homenagem e ainda não se deixaram tentar por estúdios que lhes reconheçam talento. Esperemos pelo próximo e que género de loucuras clássicas nos trarão.

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