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Crítica a "Super Dark Times"

el  Wednesday, 06 September 2017 18:00 Written by 

Assim começou o MOTELX.

Vivemos tempos negros...

 

Com Roger Corman na plateia e tendo os diabos de Vinhais do spot a competir com “A Máscara da Morte Vermelha” da retrospectiva, as expectativas para uma grande edição do MOTELX (que ainda vai receber Jodorowsky nos próximos dias) estavam instaladas.

Super Dark Times” foi o filme de abertura deste décimo primeiro festival de terror. A primeira longa do realizador Kevin Phillips tem feito um percurso curto, mas diversificado pelos festivais - com Roterdão e Tribeca antes de Neuchatel e Fantasia – e chega a Portugal semanas antes da estreia comercial norte-americana que está marcada para final do mês de Setembro.

É a história de um grupo de jovens, numa época anterior aos telemóveis e à Internet. Quando diversão significava andar de bicicleta pelos montes e os pais sabiam dos filhos porque eles tentavam cumprir horários de chegada. Zach e Josh são amigos há muito tempo. Um dia juntam-se a outros dois rapazes e acontece algo inesperado. Todo o filme é sobre como Zach lida com isso. Mas Zach é um adolescente. E está apaixonado há muito por uma rapariga. Como qualquer adolescente possui uma mente muito fértil e tem sonhos húmidos que se misturam com os pesadelos do que fizeram. E enquanto isso o mundo continua a girar, as aulas continuam a ser dadas e todos estão alheios ao que atormenta aqueles jovens.

O argumento era ambicioso e com vários detalhes deliciosos que podiam ter sido melhor trabalhados. Nota-se que a produção fez o possível com pouco dinheiro, em especial no que diz respeito a dois pontos. O primeiro é o trabalho de câmara, onde tem detalhes bem interessantes. Não de forma isolada, mas recorrentemente ao longo do filme, e da primeira à última cena. O segundo é o jovem elenco que inclui algumas das grandes promessas do meio televisivo. Owen Campbell esteve em “The Americans” (Jared) e “Boardwalk Empire” (Clayton), Elizabeth Cappuccino é a jovem Jessica de “Jessica Jones”, e Charlie Tahan (o miúdo de “I Am Legend”) esteve em “Wayward Pines” e “Gotham” entre vários outros títulos. O elenco secundário, mesmo não sendo tão imponente em currículo, é muito competente e proporcionou-nos um leque de personagens credíveis e com muita empatia.

Tudo o resto nesta produção está aceitável, ainda que o argumento por vezes se perca sem que chegue a entrar na loucura desejada, e demora um pouco a arrancar. Isso é compensado por algumas cenas brutais de forma psicológica ou mesmo física que mantêm o espectador interessado no desfecho. Em especial aquela cena inicial quase desnecessária que perturba mais os espectadores do que as supostas cenas violentas. No entanto ajuda a enquadrar aquela micro-sociedade num contexto e as mentes jovens precisavam de um trauma inicial.

No seu todo “Super Dark Times” é um filme que corria o risco de passar despercebido numa qualquer sessão das duas da tarde no decorrer do festival. Com honras de abertura chega a um público mais abrangente, capaz de fazer leituras que os fãs do terror talvez não fizessem. Mesmo sendo em parte uma desilusão, é um bom filme para debater e talvez daqui a uns anos rever e apreciar de outra forma. Pois seguramente as suas estrelas farão algo mais famoso e será sempre preciso recuar até esta época para recordar como começaram. Nenhum dos envolvidos tem de se envergonhar do que fez aqui. Podia ser melhor, podia ser mais marcante, mas não é de todo um mau filme.

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