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Crítica a "The Accountant"

el  Sunday, 27 November 2016 19:00 Written by 

Saber ler os números pode ser perigoso.

Enquanto não vemos Batman e Gordon a combater o crime, temos uma oportunidade de ver Ben Affleck e J. K. Simmons a combaterem o crime de forma ligeiramente diferente: investigando contas suspeitas. O elenco tem ainda John Lithgow, Anna Kendrick e o novo Punisher, Jon Bernthal. Mas esqueçam tudo o que esperariam das personagens nos comics, pois não se pode pensar neste filme como sendo de acção. Apesar da forma como foi promovido, é mais fácil classificá-lo como thriller ou drama do que como acção.

A história segue Christian Wolff, nome falso de um homem cuja condição não lhe augurava um bom futuro. No entanto com ajuda e treino conseguiu tornar-se um adulto muito útil para a sociedade, um contabilista. O problema são os seus clientes, criminosos com enormes fortunas que também precisam de ajuda para as contas. Wolff trabalhou para gente perigosa toda a vida e nunca teve problemas, isso muda da única vez em que tenta ajudar gente honesta e descobrir porque e como desapareceu dinheiro de uma empresa de robótica. Às habituais forças federais sempre no seu encalço juntou-se agora um exército privado com o único propósito de eliminar quem viu as contas.

Este filme apesar das boas intenções está errado em vários níveis e é preciso ir por partes. Tenta apelar ao elemento diferente para angariar público, ainda que não fale dessa condição e assume que já todos sabem o que é viver assim. Tenta maximizar as particularidades e tornar um homem com Savant num super-herói. Tenta vender-se como filme de acção numa tentativa de alargar o público-alvo e também aí desilude. Tem três twists, dos quais dois são bastante previsíveis e mesmo o terceiro não chega realmente como surpresa. E como último ponto negativo, John Lithgow foi uma péssima escolha para o papel. A melhor parte ainda é o que sai desse nicho. A personagem de Anna Kendrick que finalmente escapa da miúda pateta em que se estava a transformar nos últimos filmes e volta a ter alguma profundidade (e que é ignorada quase todo o filme). Melhor do que ela só a equipa do Tesouro que investiga a identidade do misterioso contabilista: J. K. Simmons como o director a caminho da reforma que quer resolver esse último caso, e a agente Medina (Cynthia Addai-Robinson, Amanda Waller em “Arrow”) que tem a missão de descobrir o misterioso contabilista ou será o fim da sua carreira. São deixados para segundo plano, mas estão sempre presentes. Portanto, resumindo este parágrafo, Ben Affleck como protagonista quase isolado do filme não convence. Tem o filme em ombros e tentaram dar-lhe várias camadas numa personagem complexa, mas não funciona. Tem mais pontas soltas do que se esperaria de alguém no espectro do autismo.

Por muito que a minha costela matemática tenha gostado das referências, há demasiadas coisas no filme mal explicadas. Algumas delas de propósito para que apenas alguns espectadores percebam imediatamente, outras porque não havia resposta. A parte financeira só foi tocada muito levemente e foi suficiente. O argumento de Bill Dubuque (o mesmo de “The Judge”) tem bons elementos e uma estrutura invulgar, mas curiosa, só que a concretização de Gavin O’Connor (“Warrior”, “Pride and Glory”) não foi eficaz. Pode ter sido culpa da edição que teve de deixar partes de fora – a versão final ainda ficou um pouco acima das duas horas – e num formato diferente, como série, teria sido melhor. Não foi isso que tivemos e provavelmente nunca saberemos, mas uma série com o Contabilista a viajar de terra em terra, ajudando pessoas com dinheiro, enfrentando os maus e fugindo da justiça, isso já me interessaria ver.

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