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Crítica a "Yoga Hosers"

el  Sunday, 30 October 2016 21:00 Written by 

Kevin Smith a ser ele mesmo.

Seria interessante fazer um apanhado de quem são os geeks em Hollywood. Alguns nomes surgem de forma automática como Simon Pegg e James Gunn, mas dois são ainda mais especiais pois tiveram direito a tempo de antena e eles foram Will Wheaton e Kevin Smith. No caso de Smith o amor pelos comics chegou ao ponto de chamar à filha Harley Quinn, anos antes de Nicolas Cage ser gozado por chamar Kal-El ao filho. Quem for seguidor de Smith no Facebook (algo muito recomendável) sabe que ele é essencialmente um geek que vive o sonho de fazer cinema. Quando quer revoluciona a arte (Clerks, Dogma, Jay and Silent Bob Strike Back), quando lhe pedem para ser sério faz filmes incríveis (Red State), quando pode ser indecente é-o sem pudor (Zack & Miri Make a Porno), e quando o convidam para fazer episódios das séries DC parece-se com uma criança na manhã de Natal, tirando fotos com toda a gente como se fosse um qualquer fã que tivesse fintado a segurança e não o responsável máximo pelo sucesso desse episódio em particular. Nestes últimos anos enquanto trabalha para o seu terceiro episódio das séries DC no The CW e faz filmes com Stan Lee, está a aproveitar para se divertir com a filha que não é actriz e fazer filmes com ela. Recordo que a sua cara-metade, outra não-actriz, foi uma das quatro mulheres em cabedal que Jay e Silent Bob enfrentaram. Ao lado de Harley está a sua melhor amiga e outra debutante da sétima arte que aproveitou igualmente para trabalhar com o pai, Lily-Rose Depp. Juntas como Colleen e Colleen são BFF’s e as funcionárias descontentes da loja de conveniência do pai de uma delas. Tiveram direito a um cameo em “Tusk”, uma perturbadora experiência no terror, e agora são as estrelas no segundo filme da trilogia True North, que ficará completa brevemente. Também é de terror, mas numa vertente bem mais humorística, ainda que igualmente desconcertante.

Yoga Hosers” volta a contar com cameos de Justin Long e Haley Joel Osment, tem Natasha Lyonne e vários regulares de Smith além de várias surpresas que não reconhecerão. Ao início é sobre duas adolescentes para quem o smartphone é como um órgão vital, que usam o calão dos jovens, têm pronúncia canadiana e estão revoltadas com a sociedade. Lentamente começa a passar ensinamentos da escola alternativa de yoga onde as jovens andam (não identificarão nenhuma corrente com pensamento semelhante) e no final veremos como, numa noite sem supervisão parental, terão de ajudar um investigador a resolver uma série de crimes e enfrentar a maior ameaça das suas vidas. E a aula de história nesse mesmo dia sobre os nazis canadianos contribuirá para amplificar o medo justificado que sentem.

Smith não quer saber do que os outros pensam. Este filme não lhe foi contratado - está a fazer por vontade própria por muito pouco dinheiro - pelo que não tem de obedecer nem às regras nem aos gostos de ninguém. Se parece que o estou a justificar por um filme mau, é quase. É um peculiar vídeo caseiro das famílias Smith e Depp (as mães fizeram um cameo) que de alguma forma chegou aos cinemas e está a ser escrutinado pelo grande público. Um filme que só os seus seguidores mais regulares entenderão, com uns vilões que escapam ao imaginário convencional e onde as interpretações são claramente más. E fica aqui o alerta que para este visionamento o humor só funcionará em grupo. Um cruzamento de Edgar Wright e John Waters vem-me à cabeça.

O autor no entanto sabe as limitações do seu argumento e o filme fica pela duração possível, da mesma forma que sabe as limitações da filha e deixa a maioria dos momentos musicais para solos da filha de Vanessa Paradis. Se sabem ao que vão, arrisquem uma prática de yoga. Se o nome de Kevin Smith vos é estranho, deslumbrem-se com tudo o que fez nos últimos 20 anos antes de se aventurarem por este território.

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