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Crítica a "Don't Breathe"

el  Sunday, 30 October 2016 20:30 Written by 

Quando a escuridão não é necessária.

Há várias regras para sobreviver num filme de terror. Dependendo do adversário pode ser não olhar para trás, não correr, não entrar na sala escura, não ficar sozinho, nunca parar de andar… Dizer “não respires” seria mais aplicável a agentes químicos ou biológicos em estado gasoso do que a uma pessoa. Neste caso justifica-se pois o som, nem que seja apenas o da respiração, é a primeira coisa a denunciá-los.

A história acompanha um trio de assaltantes oportunistas que tudo fazem para correr o mínimo risco. Usam as chaves e o código do alarme para entrar sem serem detectados, nunca roubam dinheiro para não serem alvo de investigação, e tudo fazem para minimizar a possível pena. A ganância é o único erro dos outros ladrões, eles não são assim. Mas a ansiedade de se mudarem para fora de Detroit faz com que esqueçam a prudência e se preparem para aquele tão célebre “o último golpe que precisarão”. O alvo é um homem cego que vive sozinho numa zona deserta da cidade e que supostamente terá centenas de milhares de dólares na sua posse. Nada mais fácil. Claro que o facto de ser um ex-militar os devia ter deixado desconfiados, pois esse homem dispensa bem um sentido e usa todos os outros para defender a sua propriedade e os seus segredos.

Pode ser um exagero, mas quase até ao fim faz lembrar um cruzamento da claustrofobia de “REC” com a originalidade de James Wan. Pensando um pouco nos detalhes será fácil ver que há várias falhas na narrativa, detalhes sobre a cegueira e os acontecimentos que descobriremos no decorrer da história que não fazem sentido. Mas a forma de construir uma história diferente e de fazer muito com pouco e de utilizar os espaços, tem muita qualidade. Começa pelo facto de nos fazer gostar de algumas personagens mais do que de outras. De darmos preferência aos bandidos sobre o homem honesto e ferido de guerra. Depois a casa que foi construída de forma a permitir movimentos fluidos e sem que detalhes específicos da planta sejam relevantes. E finalmente os segredos daquele homem que afinal fizemos tão bem em não simpatizar ao início. Aos poucos vamos gostando menos e menos dele até ao ponto em que percebemos de onde vem tanta raiva e o desespero com que se quer livrar daqueles intrusos. Porque um homem que vive isolado do mundo pode ser por sentir dor, mas às vezes é apenas porque não gosta do mundo.

Com interpretações sólidas de Stephen Lang como esse homem (algum dia fará personagens de quem gostemos?) e um trio de jovens com rostos familiares, Jane Levy, Dylan Minnette e Daniel Zovatto, “Don’t Breathe” consegue dar-nos a atmosfera perfeita para um filme numa casa fechada, e jogar com as luzes e o escuro de uma forma que poucos tentariam. Normalmente é na música que depositam a responsabilidade por guiar as sensações do espectador, mas aqui podem usar um pouco de tudo. O argumento tem várias etapas e até ao fim teremos surpresas reservadas que brincarão com as emoções de quem achava que era possível um tradicional “e viveram felizes para sempre” após uma hora de sofrimento.

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