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Crítica a "Melanie, the Girl with all the Gifts"

el  Sunday, 16 October 2016 19:30 Written by 

Um registo original no género zombie.

Melanie (Sennia Nanua) é uma menina que vive reclusa numa cela de um acampamento militar perto de Londres. O seu encarcelamento deve-se a que ela e outras crianças sofrem de uma enfermidade que os torna canibais quando cheiram um humano, uma enfermidade que contagiou a maior parte da humanidade, mas por alguma estranha razão ela e os seus companheiros de prisão comportam-se de forma peculiar. Por isso, são utilizados como cobaias para tentar encontrar uma cura para a pandemia.

Quando a base sofre um brutal ataque de infectados, Melanie e um grupo de sobreviventes terão de fugir. E, paradoxalmente, Melanie converte-se na última oportunidade de sobrevivência da raça humana... ou na sua perdição.


Por estas alturas, quando o cinema de temática zombie vive no auge há anos, dispor-se a ver um filme de género gera, a priori, certa preguiça. Já conhecemos aquilo do homo homini lupus recorrente em quase todos os filmes de ressuscitados, onde os mortos-vivos são apenas uma desculpa para recordarmos que os nossos piores inimigos, afinal de contas, somos nós mesmos (se não, vejam The Walking Dead, que vai com seis temporadas dando voltas a esse mesmo conceito). Também não nos surpreendem como antigamente a violência e o gore que deveriam estar sempre associados à temática. Então, que mais nos oferece The Girl With All the Gifts?

A resposta é um enorme sim. Está o conflito entre sobreviventes, é verdade, e também um certo grau de guignol sangrento (não muito, na verdade), mas a história, à medida que a trama avança, faz-nos perguntarmo-nos o que é que nos faz humanos e o que é, afinal, a humanidade. Comparando os primeiros minutos de metragem com a última cena, somos assaltados pela pergunta se o ser humano, tal como o conhecemos, merece ser salvo do apocalipse. 

O realizador, Colm McCarthy, dá um ritmo que não diminui em nenhum momento, sem que isso signifique que é uma montanha russa de acção; tudo acontece quando e como toca, sem excessos. Os últimos dez minutos atrever-me-ia a dizer que são o melhor que vi neste Sitges 2016. 

O argumento está cargo de Mike Carey, que adapta o seu próprio romance. Para os amantes do comic é um velho conhecido, sobretudo a pela sua etapa escrevendo Lucifer e as peripécias de John Constantine em Hellblazer. A trama bebe dos clássicos do género, ainda que dando certas particularidades aos zombies que os vão sendo explicadas a conta-gotas. Além disso, são evidentes as referências a obras como O Senhor das Moscas (William Golding) e, especialmente no segmento final, I Am Legend (Richard Matheson).

As personagens também são um ponto a favor, já que não nos oferecem a típica disputa entre sobreviventes bons e maus, mas cada um actua de certa forma por uma razão completamente legítima pela sua perspectiva e evoluem graças à sua relação com Melanie (que ao início era tratada quase como um animal). Neste aspecto, e dentro de um elenco perfeito, destacam-se as actuações de Glenn Close e Paddy Considine: a primeira mostra-nos que às vezes um objectivo altruísta conduz a uma acção horrível; o segundo, no papel de sargento Eddie Parks, começa sendo o típico militar sem escrúpulos ("malditos abortos" chama às crianças encerradas... e é o mais suave que lhes diz) para acabar sendo um personagem importante na vida (ou não-vida) de Melanie.

Definitivamente, uma das melhores aproximações aos mortos vivos que nos foram dadas nos últimos anos.

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