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Crítica a "Swiss Army Man"

el  Saturday, 15 October 2016 15:00 Written by 

Tendo triunfado de forma estrondosa tanto no NIFFF como em Sitges, “Swiss Army Man” consolida a sua posição de melhor filme de género fantástico do ano.

Precisam de três referências. Imaginem que “Cast Away”, aquele do Tom Hanks e da bola de voleibol, tinha sido feito por Michel Gondry de “Eternal Sunshine of the Spotless Mind” e de “Be Kind Rewind”. E nesta versão a bola é um cadáver putrefacto. Agora que consegui a vossa atenção, falemos do filme.

Começando pelo início, Hank está naufragado numa ilha do Pacífico e além de incrivelmente entediado tem fome e está desidratado. Quando estava prestes a pôr fim à sua vida, um outro humano dá à costa. Correndo para esse visitante, descobre que ele não está vivo, mas isso não impede Hank de se afeiçoar e começar a falar com ele. Ao descobrir uma peculiar propriedade fisiológica do cadáver que não convém revelar, vê nisso uma tábua de salvação e parte rumo à descoberta. Aos poucos vai descobrindo outras propriedades de Manny (é o nome do corpo) e as suas probabilidades de sobreviver vão melhorar a cada nova funcionalidade do corpo multi-usos. Daí o nome “Swiss Army Man” que adapta “Swiss Army Knife” (Canivete Suíço) para algo como “Humano Suíço"). Com o passar das horas e dos dias Hank e Manny afeiçoam-se e vão tendo conversas surreais sobre a vida, a amizade e o amor que fazem rir de forma constante, em especial se visto numa sala bem cheia.

Se quando Kevin Smith fez “Clerks” o tema de conversa da cultura popular era “Star Wars” a que depois se seguiu “Lord of the Rings”, aqui o grande filme referência é “Jurassic Park” e a homenagem é tão sentida e tão bem feita que esse tema (ainda de John Williams, tal como em “Star Wars”) fica imediatamente associado a este filme. Porque a primeira regra que Hank ensina a Manny é “If you don’t know Jurassic Park, you don’t know shit” e quem concordar com isso só pode adorar o filme. Ao longo de “Swiss Army Man” veremos várias referências a outros filmes que se tornaram parte da nossa cultura (por isso “Be Kind Rewind” surge como algo comparável) e veremos o desenvolver de uma relação tão improvável, mas ao mesmo tempo tão inevitável e tão genuína que sabemos que não se uniram por falta de opção, mas porque estava destinado.

Este filme é um produto de Dans. Os realizadores por se chamarem ambos Daniel (Kwan e Scheinert) assinam simplesmente como Daniels, mas a eles junta-se o Daniel mais famoso do cinema actual, Radcliffe, e um Dano, Paul. Fazer um filme com apenas duas personagens não é fácil e rapidamente podia cair no ridículo ou no monótono. Contudo, o argumento (também dos Daniels) sabe disso e portanto somos logo apresentados ao ridículo extremo e isso evita qualquer monotonia. Só precisamos de dois actores. Dano confirma que é um dos grandes actores da sua geração e Radcliffe continua a arriscar de forma certeira em cada filme para se afastar da personagem que nos deu por uma década. A terceira personagem do filme é uma fotografia de Mary Elizabeth Winstead e, como venho a dizer há muito, é capaz de ressuscitar um morto. Estes três grandes – enormes – actores conseguem tornar tudo numa obra de arte e “Swiss Army Man” é apenas mais um exemplo. Poucas pessoas na audiência desejarão que eles encontrem a civilização, atendendo ao divertido que está a ser o seu sofrimento nessa odisseia ingloria.

Como não voltará a haver um filme assim torna-se desnecessário dizer que é um filme a não perder. É para ver muitas vezes, num ecrã bem grande e numa sala bem cheia. Porque a solidão faz mal.

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