Scifiworld

Crítica a "Before I Wake"

el  Sunday, 18 September 2016 20:00 Written by 

um filme de fantasia competente, um mau filme de terror.

Before I Wake

Para o último dia do MOTELx estava marcado um reencontro com Mike Flanagan, realizador de "Oculus" (exibido na edição de 2014) que agora está a ultimar "Ouija: Origin of Evil". Apesar de Flanagan ter feito dois filmes quase em simultâneo, “Hush” foi distribuído um pouco por todo o lado, enquanto este trabalho foi sendo adiado em meio mundo. O motivo terá sido a dificuldade em etiquetar este filme que foge ao que se procura num filme de terror, sem quebrar completamente a recordação da génese do realizador nesse género.

“Before I Wake” é a história de um rapazinho muito especial (Jacob Tremblay de "Room") que vai ser acolhido por uma nova família. Se Cody aos 8 anos já tem dificuldade em manter os pais, o mesmo se poderia dizer de Jessie e Mark (Kate Bosworth e Thomas Jane) que estão a adoptar para compensar a perda do seu filho biológico. Consertar duas famílias desfeitas de uma vez devia ser um momento muito feliz e o trio tem um início aparentemente normal, mas tudo muda quando percebem que os sonhos de Cody ganham vida por uns momentos. Aí entram num período de fantasia em que borboletas (a paixão de Cody) esvoaçam pela casa e revivem as memórias do primeiro filho. Como em qualquer filme de terror, os sonhos não são exclusivamente bons e o tenebroso Senhor Cranco começa a fazer umas visitas.

Com uma história bastante simples, "Before I Wake" é um belo filme de fantasia em contexto familiar. O visionamento chega a ser mágico e desejamos que esse enlevo perdure para sempre, mas o Senhor Cranco escondido nas sombras lembra-nos que isto é um filme de terror e, mais cedo ou mais tarde, a felicidade terminará. É quando o filme procura uma via do mundo de sonho para o de pesadelo que as coisas se começam a complicar. O ponto de viragem era previsível e inevitável, mas o que se segue é um trabalho desleixado dos argumentistas (Flanagan com Jeff Howard, o seu cúmplice habitual nos filmes deste género) que não se dão ao trabalho de investigar como as coisas funcionam na vida real ou como se constroem momentos de tensão, e procuram em tudo o caminho fácil até um desfecho mais conveniente do que convincente.

Flanagan move-se bem num contexto familiar e narrativo bastante próximo do que vimos em "Oculus". Com interpretações poderosas do trio principal (ainda que Kate Bosworth tenha uma personagem problemática e intensa e por vezes pareça entrar em modo overating), temos direito ao drama familiar completo, permitindo atenuar o efeito daquela criatura negra que se esconde à espreita. De um lado a mãe que não consegue lidar com a perda e acha que está a ter uma segunda oportunidade, do outro o pai que quer seguir em frente, e finalmente a criança que faz de tudo para não dormir pois sabe o que o espera no momento em que se deixa levar para o mundo dos sonhos. Funciona como mais um veículo de lançamento para Tremblay e para nos recordar que Bosworth e Jane ainda existem, mas por muito bem feito tecniacamente que esteja, não traz nada de novo.

Leave a comment

Make sure you enter the (*) required information where indicated. HTML code is not allowed.

Mais Vistos

 

C/ Celso Emilio Ferreiro, 2 - 4°D
36600 Vilagarcía de Arousa
Pontevedra (España)

Redacción: 653.378.415

info@scifiworld.es

Copyright © 2005 - 2022 Scifiworld Entertainment - Desarrollo web: Ático I Creativos