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Crítica a "Baskin"

el  Sunday, 11 September 2016 22:30 Written by 

ou como dizem os japoneses: Hell Kebab.

Começando por uma nota mais leve, as traduções de títulos têm destas piadas. Em todo o mundo tem sido mantido o "Baskin". No Japão chamam "Hell Kebab" por ser o "Inferno Turco". Longe vai o tempo das "Turkish Delights".

 

A Turquia pode estar a viver um momento complicado na realidade, mas a sua ficção está muito bem e recomenda-se… a quem quiser passar um mau bocado. “Baskin” tem sido uma das polémicas mas recentes nos festivais de cinema fantástico pelo mundo. Na sua passagem pelo MOTELx deu para formar uma opinião e essa é que Can Evrenol teve muita sorte em conseguir completar o filme sem apoios públicos, pois o mediatismo do sucesso serviu de escudo para prováveis críticas.

Baskin significa raide, mas devido ao sucesso que todos conhecemos do filme “The Raid”, foi sugerido a Evrenol que mantivesse o nome por traduzir para parecer mais antigo e misterioso. É sobre um grupo de polícias que estavam a jantar e são chamados a intervir numa localização remota de má fama. A refeição até podia estar a ser complicada, mas o que os espera naquela casa é bem pior. Isso se lá conseguirem chegar. Além dessa componente mais física tem uma espiritual, com companheiros que partilham histórias, assuntos pendentes desde a infância que são compreendidos e fechados, e um chefe preocupado com o novato a cujos pais prometeu que protegeria com a própria vida.

Com muitos elementos do terror mais marginal, esta proposta turca vai construindo o ambiente delicadamente. Primeiro uma criança com pesadelos. Em segundo, polícias que fervem em pouca água. Depois algumas situações inexplicáveis pelas leis da natureza. E finalmente o inferno na Terra para aqueles pobres homens. Se o filme mantivesse a cronologia seria muito complicado de visionar, mas faz uma utilização estratégica dos flashbacks para os inserir a meio dos momentos intensos e aliviar a tensão, ao mesmo tempo que nos fala melhor de Arda e colegas para que gostemos mais deles e custe mais perdê-los. Isso faz com que o início do filme seja quase uma peça única e sólida, enquanto o resto é de uma dimensão onírica e formado em grande parte pelo material que dá origem aos pesadelos. O único título com impacto semelhante foi o polémico "A Serbian Film" e tanto Evrenol como os festivais parecem ter aprendido a lição. O realizador porque se mantém dentro do aceitável para evitar problemas legais. Os festivais porque o programam sem receio.

“Baskin” tem como grande fraqueza as pontas soltas pois deixa à imaginação de cada um juntar as peças para interpretar o que acabou de ver, e devido ao gore poucos espectadores quererão perder tempo a matutar no tema. Mas se a nível narrativo podia ter ido mais longe, a nível visual e sonoro enche completamente as medidas e a construção lenta é o seu ponto forte pois prende o espectador antes que este perceba que está a mergulhar num mundo satânico e demente.

Acabado de sair do mundo da curta-metragem (e via remake de uma) Evrenol pode ainda estar a começar a sua carreira, mas já deixa garantias que nos vai aterrorizar de todas as formas possíveis se o deixarem. Até lá, só podemos ficar curiosos e ansiosos pelo que aí virá. “Baskin” não tem uma história para recordar, mas já deixou uma marca difícil de esquecer.

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