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Crítica a "Miruthan"

el  Sunday, 11 September 2016 09:30 Written by 

Três palavras: filme; indiano; zombies. 

No início do ano anunciámos que vinha aí o primeiro filme indiano Tamil de zombies. Tamil é uma língua clássica viva e é falada por uma minoria de cerca de setenta milhões de pessoas. A região de Tamil Nadu tem revelado um certo descontentamento com a imposição do Hindu e portanto tem feito um esforço para se impor internamente a nível cultural. A sua produção audiovisual era muito focada nas histórias de fantasmas e com “Miruthan” estreou-se no género zombie. Como? Imaginem o estereótipo de filme indiano e juntem-lhe zombies pois é quase isso. Há muito humor, amores impossíveis, música e danças em cima das mesas, e milhares de zombies para matar numa missão de poucos da qual depende o futuro da humanidade.


A história começa por nos mostrar a origem do problema. Depois de termos conhecido os zombies que os nossos heróis vão enfrentar, é chegada a hora de sermos apresentados aos nobres agentes da autoridade que os terão de deter. Karthik (Jeyam Ravi ) foi o melhor agente da sua turma, mas está na brigada de trânsito, não como castigo por algo que tenha feito, apenas por opção. É que ele é a única pessoa que a sua irmãzinha Vidya (Baby Anikha) tem e não pode morrer em serviço. Chinamalai (Kaali Venkat ) é o seu parceiro e único amigo, não é tão competente, mas é um profissional dedicado. Depois há a bela Renuka (Lakshmi Menon), uma médica da região muito amável que se cruza com eles quase diariamente e os ignora. Quando a praga chega à cidade e é declarado o estado de emergência, são estes três que terão de ir até à cidade de Coimbatore (o Google diz que se faz em três horas quando não há zombies) com as amostras de sangue dos infectados, na esperança que o centro hospitalar consiga encontrar uma cura.


A apenas terceira obra de Shakti Soundar Rajan não é um filme que queira ser dramático. O seu formato respeita minimamente as regras do cinema indiano de forma a conseguir cativar o público que não vem do terror e tem uma banda sonora muito bem conseguida, mas sem o humor seria completamente insípido e adivinha-se o que acontece a seguir sempre com uns minutos de antecedência. Numa época em que há versões humorísticas de tudo, em especial de filmes zombie, o trabalho mais parecido será o cubano “Juan of the Dead”, que expõe a sua realidade nacional com sagacidade, mas consegue ser apelativo em todo o mundo e proporcionar grandes momentos de descontracção. “Miruthan” também é em grande parte uma caricatura da Índia - em especial do seu pior – contudo isso não o impede de ser minimamente compreendido no estrangeiro. A dupla Karthik/Chinamalai inspirada nos buddy movies e a fazer recordar os tempos áureos de Schwarzenegger/De Vito tem o nosso voto para salvar Vidya e eliminar qualquer ameaça zombie. Apesar de algum CGI manhoso no início tem uma produção de fazer inveja à maior parte dos filmes de zombies, com milhares de figurantes, cenários complexos, músicas hipnotizantes e cenas espectaculares de combate - que até têm direito a projecções de cadáveres em slow motion – o filme sabe que entra em exagero quando nos dá cinco minutos consecutivos do protagonista em combate contra a horda ao som da música “Mirutha Mirutha”, mas o que interessa quando nos estamos a divertir? O único grande problema é estar completamente centrado em Jeyam Ravi, ignorando alternativas narrativas que o tamanho do grupo possibilitava. Esta estrela em ascensão já tem um novo trabalho com o realizador Rajan e certamente terá um futuro risonho nos filmes de acção/comédia entre outros, mas aqui foi um exagero e deu para ver todo o leque de emoções que consegue interpretar, como num longo show reel pessoal. Não fosse a personagem tão fácil de gostar e teria arruinado o filme. Na sequela certamente será diferente.


Resumindo, “Miruthan” é um filme para se ver várias vezes, para rir e cantar. Não estranharia que vencesse prémios técnicos, mas não esperem um argumento genial. Cumpre tudo o que se podia esperar dele.

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