Scifiworld

Crítica a "Psycho Raman/Raman Raghav 2.0"

el  Saturday, 10 September 2016 16:30 Written by 

um serial killer indiano com muita sorte.

Há sempre um enorme fascínio pelos psicopatas e este "Psycho Raman", também conhecido como "Raman Raghav 2.0", começa por mostrar os números impressionantes que resumem as mortes causadas por Raman Raghav nos anos 60, para depois nos assegurar que não é sobre ele que vai falar. A história vai ser sobre Ramanna, um admirador do assassino que vai cometer a sua própria série de crimes e deixar um rasto de sangue.

Contado em capítulos interligados (mas não ordenados cronologicamente), esta obra vai acompanhar a existência de dois indivíduos que estão ligados. De um lado o assassino, esmagando crânios com uma barra metálica. Do outro, o polícia que o procura. Só que nada é assim tão simples e as acções de um influenciam as decisões do outro, num crescendo que causará muitas vítimas.

A indústria indiana de cinema é a maior do mundo, no entanto poucas obras nos chegam. A ideia generalizada de serem apenas musicais de Bollywood tem vindo a cair muito à custa do terror. Este thriller vem da mesma Mumbai. "Miruthan" (sessão de hoje à tarde do MOTELx) é o primeiro filme de zombies em Tamil. E como estes há várias dezenas todos os anos para todos os gostos. A Índia tem muitas histórias para oferecer e artífices para o efeito. Anurag Kashyap é um dos autores mais interessantes e como realizador já nos deu “Gangs of Wasseypur”, “No Smoking” e “Ugly”, um leque de filmes diversificados a que se junta “Black Friday” sobre um atentado bombista. É, portanto, o nome a ter em conta para emoções fortes. Este seu “Raman Raghav 2.0” tinha um nome pouco apelativo (felizmente alguém se lembrou de “Psycho Raman”), mas o conteúdo merece o visionamento. A única comparação no cinema recente é “I Saw the Devil” e não lhe fica muito atrás. O constante jogo de rato e gato entre polícia e criminoso, a violência gratuita, desmesurada e impiedosa, as imensas vítimas colaterais duma guerra cega entre um criminoso sem remorsos e um polícia sem lei. Ramanna é dos criminosos mais brilhantes e sortudos que o cinema viu neste século. Isso é conseguido com a interpretação fabulosa de Nawazuddin Siddiqui na pele do assassino, que mata impunemente e mesmo com uma cicatriz gigante na cara circula sem ser apanhado numa cidade de milhões, num misto de sorte, inteligência e indiferença. É um habitual nos filmes de Kashyap e percebemos porquê. Contra ele está Vicky Kaushal, um actor em início de carreira que percorre um grande espectro de emoções de forma convincente. E finalmente uma surpresa na actriz até aí desconhecida Sobhita Dhulipala que parecia ter um papel menor, mas se torna peça essencial da história.

As quase duas horas e meia de duração são um bocado puxadas para quem não está acostumado a filmes indianos, mas também os coreanos se distraem na duração quando fazem assassinos complexos e a história precisava de tempo para respirar devido à sua sofisticação. A enorme qualidade da fotografia e a variada banda sonora (convém verem com legendas para as letras pois é um conjunto vasto) fazem com que não fique a dever nada às grandes produções de outros países, mas sem perder a sua identidade. Será certamente para rever, só não demasiado cedo.

Leave a comment

Make sure you enter the (*) required information where indicated. HTML code is not allowed.

Mais Vistos

 

C/ Celso Emilio Ferreiro, 2 - 4°D
36600 Vilagarcía de Arousa
Pontevedra (España)

Redacción: 653.378.415

info@scifiworld.es

Copyright © 2005 - 2022 Scifiworld Entertainment - Desarrollo web: Ático I Creativos