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Crítica a "Polednice"/"The Noonday Witch"

el  Saturday, 10 September 2016 10:00 Written by 

obra competente vinda de uma cinematografia por explorar.

 

Cenário habitual para várias grandes produções que são rodadas na Europa, a República Checa tem o seu próprio cinema que vai passando despercebido à maioria das pessoas. Com cerca de dez milhões e meio de pessoas e vinte a quarenta longas produzidas por ano, acaba por não ser muito diferente de Portugal. A diferença está no seu cinema fantástico que parece mais activo do que o nosso, com cerca de trinta longas estreadas nesta década, incluindo 3D, que se podem inserir nessa categoria. Os realizadores dedicados a isso contam-se pelos dedos de uma mão, mas o rumo pode estar a mudar com Jiri Sádek que nos traz "Polednice"/"The Noonday Witch" e conseguiu com Karlovy Vary e MOTELx as suas primeiras internacionalizações e poderá estar a dar maior visibilidade ao cinema checo.

 

A lenda por trás desta história tem dois séculos. É sobre uma bruxa que vem com uma onda de calor e leva as crianças. Nesta versão Eliska e Anetka, mãe e filha, mudam-se para a aldeia de origem do pai para estarem mais próximas dele. Só que há um segredo que toda a aldeia sabe e a pequena Anetka não imagina: o pai não vai ter com elas. A mãe quer proteger a criança da dor e guardou para si o detalhe da morte do marido. O que faz com que tenha de lidar com a sua própria dor de forma solitária e em silêncio, enquanto uma filha infeliz pergunta constantemente pelo pai deixando todos angustiados. Todos na aldeia são muito prestáveis, mas a onde de calor causou falta de água, começa a fazer vítimas mortais, e Eliska não está a lidar bem com tudo isto. Talvez porque a louca da aldeia a clamar a existência da bruxa aos quatro ventos seja uma má influência.

 

A receita da mãe assombrada tem sido muito explorada ultimamente em várias formas. O realizador admite a influência de “Mama”, o público vê semelhanças com “The Babadook” e muitos outros existem. A diferença é que enquanto nos outros títulos o terror chega à noite com a escuridão, esta bruxa nunca as deixa e mesmo de dia com o sol a brilhar no céu e o amarelo dos campos de trigo a entrar pela janela, estão a ser vigiadas por algo. Numa nota que agradará a muitos, a filmagem foi em película o que permitiu, com um pouco mais de exposição, um brilho especial.

 

É uma viagem curiosa e fora do comum à dor de perder alguém querido e ao amor incondicional de mãe que fará tudo para proteger a filha. Está cheio de metáforas para quem as quiser procurar, mas mesmo sem isso consegue ser um filme completo e utilizar todos os truques do género. Que, para quem já os conhece, será um pouco aborrecido. Explorando a parte dramática do filme – sentimento de perda, os efeitos da seca, a desidratação como causa de pânico – e ignorando a bruxa, é muito interessante e uma boa forma de conhecer esta cinematografia tão próxima, mas ao mesmo tempo tão distante. A interpretação de Anna Geislerová, uma das actrizes mais versáteis e capazes da República Checa, tem momentos em que é simplesmente arrebatadora como esta mãe em sofrimento, por vezes irada, mas sempre dedicada. Tirando isso, será um visionamento com pouco impacto e que, visto entre vários outras propostas mais traumatizantes num festival, a maior parte dos espectadores esquecerá numa questão de dias. Visto num contexto diferente (e atenção à televisão nos próximos meses pois faz parte do catálogo da HBO) é bem capaz de funcionar.

 

 

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