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Cobertura do NIFFF 2015

el  Monday, 19 October 2015 22:50 Written by 

o maior evento suíço do fantástico combina Cinema, Televisão, Web e um simpósio sobre o futuro.

O festival de Neuchâtel continua a crescer a cada ano que passa. Nesta sua décima quinta edição tinha a difícil tarefa de fazer esquecer que no ano passado tinha recebido a visita de dois enormes vultos como Kevin Smith e George R. R. Martin.

Neste ano em que o calor extremo foi uma constante para o NIFFF, os motivos para ficar dentro da sala de cinema eram variados. O objectivo do festival é ser o lar suíço dos filmes fantásticos, do cinema asiático, e das imagens do futuro. Com um programa especialmente dedicado à televisão, alargou-se por uma tal variedade de temáticas que era fácil ficar perdido.

Além da competição principal onde os mais importantes títulos do ano se apresentam em disputa do “Narciso”, vários outros filmes estavam em exibição, dentro e fora de competição.

Para os fanáticos havia a secção Ultra Movies com os títulos mais pesados, como a animação espanhola “Pos Eso”, ou o gore inspirado em death metal “Deathgasm”, e Films of the Third Kind para obras que não podem ser consideradas normais, por exemplo “La Isla Mínima” de Alberto Rodríguez que passou em San Sebastian, “The Voices” de Marjane Satrapi que passou em Sitges, “Liza the Fox Fairy” que venceu o Nocturna, além dos aguardados “Love” de Gaspar Noé e “Maggie” de Henry Hobson.

Para quem aprecia os clássicos e gosta de explorar o cinema de forma documental, a rubrica Histórias do Género cobria várias vertentes, desde H.R. Giger a Chuck Norris, passando por Richard Stanley, Tinto Brass e cinema indonésio. Esta rubrica foi complementada com uma conferência sobre “os ritmos do medo nos filmes” com uma explicação sobre como os sentidos e as emoções afectam o espectador durante o visionamento de um filme de terror.

Quem prefere o cinema como fonte de diversão e prazer, tinha toda uma secção de “Guilty Pleasures” com Asiansploitation, Blaxploitation, Italosploitation, Ozploitation, Swissploitation, Sexploitation, Teensploitation e os intensos Eco-Vengeance (com o jovem quarentão Jaws), FC erótica e Rape & Revenge.

Algumas destas sessões foram acompanhadas pelos seus mentores, como Enzo Castelari com “Il Grande Racket” e Russell Mulcahy com “Razorback”, que teve direito a uma retrospectiva.

A sessão de abertura apostou num formato diferente e apresentou uma série web de produção suíça sobre dois bloggers que exploram o mundo sobrenatural. Esta leve comédia conquistou os espectadores que aplaudiam o spot sempre que antecedia um filme do festival. Podem ir acompanhando o programa em http://hellvetia.rip.

Entre os vários convidados do NIFFF, o primeiro a ocupar a sala foi Sono Sion. Este peculiar artista que fica mais profícuo a cada ano, apresentou uma série de trabalhos para alegria dos fãs. Os filmes mais recentes eram invulgarmente divertidos:  “Why Don’t You Play in Hell?” (2013), um hilariante cruzamento do mundo dos yakuzas com o do cinema, e “Tokyo Tribe” (2014), um musical sobre yakuzas e gangs de rappers. Em representação do seu cinema mais antigo e convencional estava apenas “Strange Circus” (2005), onde a palavra “estranho” é fundamental pois escrita, música, incesto e vingança cruzam-se num filme deveras perturbador. As projecções foram antecedidas por uma sessão de perguntas aberta ao público onde ficamos a conhecer as origens deste cineasta irreverente que começou como poeta e activista antes de experimentar fazer curtas que o levaram ao estatuto que detém hoje em dia. A destacar entre o seu discurso fica a frase “do cinema japonês o mundo conhece-me a mim, a Miike Takashi e a Kitano Takeshi, mas 99% do cinema japonês resume-se a melodramas”. Os números não andarão longe da realidade com uma produção que ronda os 520 títulos anuais (média dos últimos cinco anos) e dos quais só uma ínfima parte chega à Europa, maioritariamente de género fantástico e destes três senhores.


 

Uma das figuras de mais renome desta edição (de facto era o convidado de honra) foi o lendário Chris Carter, criador de uma das maiores revoluções que a televisão comtemporânea já conheceu com os seus “Ficheiros Secretos”, além de trazer outros títulos ilustres ao então ultrajante panorama televisivo como “Millennium“ e a interessante “Harsh Realm”. Carter, presente durante quase todo o festival deixou-se mimar por fãs e imprensa especializada e foi realmente amável com todos os que se aproximaram dele. Na pequena entrevista que tivemos com ele deixou escapar alguns detalhes sobre o eminente regresso à grelha televisiva de “Ficheiros Secretos”, mas guardamos essas confidências para um futuro especial sobre a série que verá a luz brevemente.

Na pergunta do fantástico favorito sobre se acreditava que havia vida em outros planetas, respondeu que sim, mas não com forma humana. O criador de “Ficheiros Secretos” foi uma das pedras basilares do “TV Series Storyworld”, conferência destinada aos profissionais do sector onde (pelo segundo ano consecutivo) se estudou o fenómeno televisivo e se deu a oportunidade a oradores e presentes de compartirem os seus conhecimentos sobre a escrita de guiões televisivos.

Outra das grandes figuras presentes no NIFFF foi o incomparável Russell Mulcahy, realizador dessa maravilha que é “Os Imortais”. O realizador australiano veio ao festival presidir ao júri do Méliès de Prata que premeia o melhor filme europeu de cada festival do circuito para poder competir ao Méliès de Ouro que se entregará no próximo mês de Novembro em Trieste, Itália.

Mulcahy foi de uma simpatia e proximidade sem paralelo e bastou meia hora para nos fazermos amigos de toda a vida, além de se ter mostrado impressionado e sobretudo agradecido quando lhe oferecemos uma cópia do úmero 80 da revista que continha o artigo dedicado à saga d’Os Imortais (e o grande momento: ao finalizar a entrevista, pede-me que explique ao seu namorado como pode subscrever a nossa publicação. Como se pode não adorar alguém assim?). Russell também viveu um momento de homenagem quando assistiu à projecção de duas das suas primeiras longas-metragens “Razorback“ e “Os Imortais”.

O último grande convidado de honra do NIFFF, e não menos importante, foi o escritor Michael Moorcock, uma pessoa realmente cativante, que sempre lamentaremos não termos tido mais tempo para conviver pois tem uma personalidade muito interessante e está sempre disponível para compartir os seus conhecimentos e inquietudes com os demais.

Tendo falado de todos os convidados de honra desta edição, temos de dizer que houve um denominador comum entre todos: essa indiscutível sensação de estarem satisfeitos e a passarem um bom momento. E o culpado não é outro senão a organização do festival e a sua incrível equipa, que se a nós, uns simples comunicadores, não tratavam de forma muito mais do que correcta, então no trato com os convidados eram requintado. ¡Um hurra temperado com um bravo para eles!

 

PALMARÉS

Este ano o NIFFF teve uma circunstância muito especial no júri da competição oficial, pois todos os membros (perdão, membras) do júri eram mulheres, circunstância que sem que tenha de ser diferente dos seus homónimos masculinos, não deixa de ser chamativo e não sei se único no circuito de festivais fantásticos.

O júri de cinco mulheres encabeçado pela actriz neo-zelandese Zoë Bell achou por bem premiar “Green Room” com o prémio Narciso H. R. Giger para melhor filme. O filme também ficou com os prémios do público e do júri jovem. O prémio Méliès de Prata foi para o filme dinamarquês “Men & Chicken”, uma co-produção entre Espanha, Etiópia e Finlândia levou o prémio para melhor desenho de produção pelo filme “Crumbs”, do realizador espanhol Miguel Llansò e o prémio de melhor filme asiático foi para “Full Strike”, de Hong Kong.

Por último o prémio da crítica, que pelo segundo ano consecutivo tivemos a honra de fazer parte do júri, na recta final esteve muito perto de ir para “Spring”, “Bridgend” ou o laureado “Green Room”, mas o júri acabou por se decidir pela maravilhosa “The Invitation”, uma crítica violenta e feroz ao fenómeno das seitas “religiosas” na cidade de Los Angeles.

Concluindo, um grande festival com gente maravilhosa por trás que nos faz contar os dias até à próxima edição.

Bridgend
brevemente
Crumbs
brevemente
Dark Star
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Deathgasm
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Der Bunker
Link 1
Green Room
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Link 2
Lost Soul
brevemente
Robot Overlords
brevemente
Spring
brevemente
Stung
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Scherzo Diabolico
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The Corpse of Anna Fritz
brevemente
The Voices
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The Invitation
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Turbo Kid
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We Are Still Here
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Yakuza Apocalypse
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Por Nuno Reis e Raúl Gil Toural

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