Scifiworld

Crítica a "Roar"

el  Tuesday, 15 September 2015 14:35 Written by 

O filme mais perigoso e irresponsável alguma vez produzido.

Imaginem-se a viver durante 11 anos com mais de 150 animais selvagens dentro da vossa casa. Assim foi a vida de Noel Marshall (realizador, argumentista, produtor e protagonista), da sua esposa Tippi Hendren (produtora e protagonista) e dos seus filhos John Marshall, Jerry Marshall e Melanie Griffith (todos eles protagonistas), só para poderem filmar Roar.

Madeleine (Tippi Hendren) e os filhos John (John Marshall), Jerry (Jerry Marshall) e Melanie (Melanie Griffith) vão visitar o esposo e pai Hank (Noel Marshall) a África, onde se encontra a estudar felinos. Ao mesmo tempo que Hank sai da casa para recolher a família ao aeroporto, a família segue sozinha até casa. Tomando caminhos diferentes, não se cruzam. Escusado será dizer que ao chegar ao local, a família é surpreendida pelos leões, tigres, chitas e jaguares à solta na casa. Perseguidos ininterruptamente pelos felinos, os visitantes quase destroem a habitação ao tentar escapar ilesos dos grandes bichanos.

Com uma premissa destas, e filmado no final dos anos 70, seria de esperar que Roar fosse uma pérola exploitation, mas na verdade é apenas um genuíno filme de aventura e comédia familiar. Infelizmente, nem todas as famílias têm o estômago e o espírito para aguentar este convívio "pacífico" entre os leões e os humanos, e Roar encontra o seu público junto dos amantes do terror. Ainda assim, esteticamente o filme está longe de se enquadrar no género. Apesar da imprevisibilidade das acções dos animais, a continuidade do filme é incrível, deixando muito pouca coisa fora do enquadramento. Os planos conseguidos são muito próximos de toda a acção e mostrando muitos pontos de vista impensáveis. Os animais conseguem ser tão adoráveis quanto ameaçadores e os actores conseguem entregar o diálogo com o máximo naturalidade ao mesmo tempo que tentam controlar os felinos com que interagem. Mesmo o argumento simples consegue ser executado de forma intacta, contra todas as adversidades e dificuldades inerentes à produção e que tornam o filme no grande objecto de curiosidade que é. Mas ao ver o resultado final é impossível não pensar nos riscos a que a equipa se submeteu.

Infelizmente, para conseguir este trabalho impecável, todos os envolvidos se sujeitaram a ferimentos ligeiros e graves. Mais de 70 elementos da equipa foram feridos: o director de fotografia Jan de Bot que levou cerca de 200 pontos após um leão lhe arrancar o escalpe à dentada, Melanie Griffith foi atacada na cara, levando 50 pontos e sendo submetida a cirurgia estética, Noel Marshall é mordido na mão (estando o momento do ataque incluído na versão do filme). Com inúmeras interrupções nas filmagens causadas por ferimentos, por catástrofes naturais (cheias e incêndios) e pelas várias desistências de diversos elementos da equipa, o filme com rodagem prevista de 6 meses acabou por levar 5 anos a concluir.

Sem estreia nos Estados Unidos, foi exibido internacionalmente em 1981 durante uma semana. Custou mais de 17 milhões de dólares e apenas conseguiu recuperar pouco mais de 2 milhões. Mal promovido pelas equipas de marketing da altura, o filme foi condenado ao esquecimento até que a Drafthouse Pictures o redescobriu e nele encontrou o potencial de encantar um público bem mais retorcido que as habituais famílias. Estreado no início de 2015, Roar tem percorrido os Estados Unidos (e o resto do mundo), especialmente em sessões especiais da meia-noite, atingindo finalmente o estrelato e ganhando o merecido estatuto de filme de culto.

Leave a comment

Make sure you enter the (*) required information where indicated. HTML code is not allowed.

Mais Vistos

 

C/ Celso Emilio Ferreiro, 2 - 4°D
36600 Vilagarcía de Arousa
Pontevedra (España)

Redacción: 653.378.415

info@scifiworld.es

Copyright © 2005 - 2022 Scifiworld Entertainment - Desarrollo web: Ático I Creativos