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Crítica a "Green Room"

el  domingo, 13 setembro 2015 11:30 Escrito por 

quando os pequenos rebeldes encontram os grandes mauzões.

Jeremy Saulnier entrou no cinema pela caracterização, experimentou a realização, mas foi ficando como director de fotografia. Nos últimos anos a faceta de realizador voltou à superfície e depois da comédia “Murder Party” e da cor azul em “Blue Ruin” (estreado em Portugal em Maio de 2014), chegou a vez de nos mostrar um pouco de verde em “Green Room”.

Saulnier estará bem longe do jovem que em 2012/13 e com um grande prémio de Slamdance em 2007 no currículo, conseguiu financiamento no Kickstarter para filmar “Blue Ruin”. Quando se viu recusado por Sundance com um rough cut enviado em cima do prazo, podia ter sido o fim de uma carreira, mas semanas depois o filme melhorado foi aceite em Cannes e começou uma ascensão meteórica. Saído de Neuchâtel com três prémios (Melhor Filme, Prémio do Público e Melhor Jovem Realizador) e com duas sessões esgotadas no MOTELx, é já uma certeza do thriller americano.

Green Room” começa como qualquer drama indie americano sobre bandas alternativas. O protagonismo é da Ain’t Rights, uma banda punk rock que anda em digressão pelos EUA. São defensores dos formatos analógicos e tão contra os formatos digitais, que nem redes sociais usam. Os seus concertos são marcados por telefone e passa-palavra, o que os leva a sítios tão inesperados como, por exemplo, a sede de um grupo de skinheads. O concerto correu às mil maravilhas, mas o que se seguiu foi um pouco extremo e a reacção de ambas as partes foi a melhor possível, o que os deixa num impasse. Fechados numa sala com um pouco de verde, os Ain’t Rights vão precisar mais do que nunca de trabalhar em equipa. Não é uma questão de dar espectáculo, agora trata-se de sobreviver.

Com um elenco de famosos – Anton Yelchin, Alia Shawkat, Imogen Poots, Patrick Stewart – e alguns desconhecidos, “Green Room” é um quase constante pico de tensão. Muito apoiado nas interpretações naturais e credíveis dos seus protagonistas, auxiliados pelo sereno trabalho de edição que joga com a claustrofobia e os exteriores do início ao fim, o filme entrou num território perigoso ao escolher artistas delinquentes como heróis e ao dar toda a astúcia ao bando de neonazis. Apesar de sabemos que uma mistura destas não pode acabar bem e vendo como tudo aponta para um massacre, acreditamos até ao fim num final relativamente feliz. E é aí que as personagens de ambas as facções nos começam a surpreender, com backgrounds complexos e pequenas histórias que as tornam mais humanas,

Saulnier volta a conseguir um filme controverso, sem pontos muitos fortes, mas sem pontos fracos, que fará os amantes do thriiler passarem um bom momento enquanto assistem a uma escalada da violência. Aguardemos pela sua próxima cor que decerto terá muito vermelho.

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