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Crítica a "Der Bunker"

el  Friday, 11 September 2015 20:00 Written by 

muito talento desperdiçado num argumento demasiado ambicioso.

Pit Bukowski começa a ser um rosto muito conhecido do MOTELx depois de participações em filmes como a curta “Cowboy” e a longa “Der Samurai”, o melhor filme da edição passada do festival. O regresso do actor em “Der Bunker” de Nikias Chryssos era por isso muito esperado.

 

A história é sobre um investigador que procura um lugar recatado para concluir a sua investigação. Ao saber de um quarto para alugar que prometia sossego, contacta o anunciante e parte para o local onde seria possível fazer tudo o que pretendia. Só que o seu destino não é o que esperava. O sossego é conseguido num edifício estilo bunker com muito poucas janelas e onde uma família estranha faz os possíveis para que ele se sinta bem.

 

O filme tem feito um bom circuito de festivais desde que passou por Berlim, mas para os amantes do fantástico parecerá um pouco estranho (por mais incrível que isso soe). Esta comédia negra tem personagens surreais, tem alguma violência, e tem ainda uma dose de imaginação excessiva. No seu todo tem de ser considerada de género fantástico, mas não será essa a sua característica mais marcante. Na verdade é mais um filme sobre família, amor, aprendizagem e expectativas. É sobre cumplicidade e repensar prioridades. A contribuir muito positivamente para isso estão todas as interpretações. Bukowski continua irrepreensível. David Scheller tem momentos geniais de humor, seja com cara séria ou com cara de palhaço. Oona von Maydell - no seu quase duplo papel – tem a árdua tarefa de expressar as emoções e consegue cumpri-la. E Daniel Fripan no impensável papel de filho com dificuldades de aprendizagem é quase o bobo de serviço. Um papel que poucos aceitariam, ele desempenha com profissionalismo.

 

Esta primeira longa do grego-alemão Nikias Chryssos impressiona visualmente, em especial por ser toda em espaços fechados (excluindo uns segundos de caminhada para o bunker ao início). A sensação claustrofóbica é jogada com cuidado, e a câmara capta tudo de forma impecável, ainda que um jogo de luzes final seja exageradamente psicadélico. Os momentos de comédia inseridos permitem algum desafogo numa narrativa que tem forte carga emocional e psicológica, mas a ideia base (que talvez fosse sobre as expectativas parentais) acaba por se perder entre todos os artifícios. A tentativa de falar de tudo e ao mesmo tempo ser artístico foi demasiado ambiciosa para o realizador que deveria ter começado por algo mais simples antes de filmar o seu próprio argumento. Do ponto de vista técnico e artístico todos parecem saber o que fazem. Seria só questão de escolherem algo mais à sua medida.

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